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Mpox volta ao radar da saúde pública

País registrou 88 casos da infecção neste ano, sendo 44 em apenas cinco dias. São Paulo lidera com 63 notificações confirmadas. Apesar do cenário monitorado e nenhuma morte, o governo está reforçando os cuidados à população

A Gazeta do Acre por A Gazeta do Acre
02/03/2026 - 08:54
Foto:  Reprodução/ Freepik

Foto: Reprodução/ Freepik

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Com 88 casos notificados oficialmente em 2026 pelo Ministério da Saúde, a Mpox voltou a preocupar o governo federal e colocou os estados em alerta. A doença — infecciosa, transmissível e viral — está longe de alcançar o surto de 2022, que registrou 10.613 confirmações e 14 mortes, mas passou a ser monitorada de perto pelas autoridades, que têm transmitido comunicados e orientações à população.

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São 88 confirmações de Mpox e dois casos prováveis, além de 171 suspeitos. O número quase dobrou em cinco dias. Em 20 de fevereiro, havia 48 registros, salto de 83%. A idade média de quem contraiu o vírus é de 33 anos, sendo 78% homens cisgêneros. Segundo a Saúde, a maioria dos pacientes teve sintomas classificados como de grau leve a moderado, sem registro de gravidade ou mortes associadas à doença.

O estado de São Paulo lidera os casos do país, com 63 registros, seguido de Rio de Janeiro (15), Rondônia (4), Minas Gerais (3), Rio Grande do Sul (2), Paraná (1) e Distrito Federal (1). A Secretaria de Estado da Saúde de SP comunicou que monitora de forma contínua o cenário epidemiológico da Mpox no estado e mantém articulação permanente com as secretarias municipais de saúde e com a rede assistencial.

Em Rondônia, o governo estadual informou que a vacina contra a Mpox está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), mas não faz parte do calendário de rotina. O imunizante é aplicado para pessoas com maior risco de exposição ao vírus ou de grupos vulneráveis. O objetivo é reduzir a transmissão e fortalecer a resposta do sistema de saúde diante de casos suspeitos e confirmados.

A Mpox possui uma semelhança acentuada com a catapora, manifestando-se na pele por meio de bolhas ou vesículas contendo líquido, que posteriormente estouram e formam crostas. Esse quadro pode ser acompanhado de dor de cabeça, início de febre acima de 38,5°C, linfonodos inchados, dores musculares e no corpo, dor nas costas e fraqueza profunda.

O tratamento para a Mpox inclui isolamento, pois a transmissão ocorre, principalmente, pelo contato direto com lesões ou secreções de pessoas infectadas. Não há remédio específico para tratar a infecção. O antiviral tecovirimat foi desenvolvido para tratar varíola, mas tem sido testado em casos específicos.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a importação do medicamento para uso pelo Ministério da Saúde. Embora os testes indiquem segurança, ainda não há comprovação de benefício consistente na redução dos sintomas em quadros leves, que representam a maioria das infecções.

Três perguntas para Draurio Barreira, Médico sanitarista e epidemiologista e diretor do Departamento de HIV/Aids,Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde

1. Como a Mpox chegou ao Brasil?

Veio para o Brasil por meio do trânsito global de mercadorias e do turismo, algo que é inevitável atualmente. Em 2022, enfrentamos um surto com mais de 10 mil casos e 14 óbitos. Atualmente, o número de casos é considerado baixo e dentro do esperado; enquanto nos dois primeiros meses de 2023 tivemos 244 casos, no mesmo período deste ano registramos 88, sem nenhum óbito. Embora a imprensa tenha tratado esses dados com certo alarde, os números atuais não despertam preocupação excessiva na vigilância sanitária.

2. O aumento de 44 para 88 casos em cinco dias é normal?

Sim, pois em números absolutos pequenos, qualquer acréscimo gera um percentual de aumento elevado. A passagem de 50 e poucos casos para 88 representa um aumento de 80%, porém, isso é absolutamente esperado dentro da média anual. Estamos monitorando o período pós-carnaval, visto que aglomerações favorecem a transmissão. Contudo, mesmo após uma semana do término das festividades, não observamos o aumento esperado, considerando que o período de incubação varia de três a seis dias, podendo estender-se por até três semanas.

3. Existe vacina, cura ou um tratamento específico para a doença?

Existe vacina, mas ela não é recomendada para a população geral, sendo indicada apenas para grupos específicos de imunodeprimidos ou para o bloqueio em pessoas que tiveram contato com o vírus. Quanto ao tratamento, não há um remédio específico eficaz. Os estudos com novos medicamentos mostraram resultados comparáveis ao placebo. Atualmente, o tratamento éde suporte e sintomático, focando em boa alimentação, hidratação e medicamentos para dor e febre, além de tratar possíveis infecções secundárias nas lesões da pele.

Por: Correio Braziliense

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