Ataques cardíacos costumam ser associados a pessoas mais velhas ou com histórico de doenças cardíacas. No entanto, os sintomas podem aparecer de forma inesperada e até ser confundidos com problemas mais simples, como indigestão ou cansaço. Foi o que aconteceu com o norte-americano Mario Ciccarello, de 34 anos.
Em fevereiro, ele começou a sentir dor no peito enquanto caminhava para um treino ao ar livre em Fort Lauderdale, na Flórida. No primeiro momento, ele acreditou que o desconforto poderia ser azia e estar relacionado a uma refeição mexicana apimentada que tinha comido na noite anterior.
A dor diminuiu por um tempo, mas voltou mais tarde, quando ele já estava em casa.
“Na minha cabeça, pensei que era azia por causa da comida da noite. Tenho 34 anos e sou corredor de ultramaratonas, então não imaginei que pudesse ser um ataque cardíaco”, conta ele entrevista ao The Sun.
Quando voltou para casa, ele disse à esposa, Stephanie James, 34, que precisava descansar porque estava muito cansado. “A gente vive brincando um com o outro. Quando perguntei se ele estava morrendo, era só uma piada”, relata Stephanie.
Cerca de duas horas depois, o quadro mudou. A dor no peito voltou de forma muito mais intensa e começou a irradiar para o ombro e para o braço esquerdo.
Mario percebeu também que sua frequência cardíaca estava elevada mesmo em repouso. “Meu coração estava batendo a 112 vezes por minuto e eu percebi que algo não estava certo”, relembra. Pouco depois, a dor se tornou insuportável. “Parecia que todo o lado esquerdo do meu corpo estava se desprendendo”, conta.
Nesse momento, ele avisou a Stephanie que o quadro não era mais brincadeira e acreditava estar tendo sintomas de um ataque cardíaco. O casal decidiu então ir ao hospital.
Sintomas de infarto
- Dor no peito em aperto ou pressão.
- Irradiação para braço esquerdo, mandíbula, costas ou ombro.
- Falta de ar (dispneia).
- Sudorese intensa.
- Náuseas e vômitos.
- Palidez ou pele arroxeada.
- Tontura, turvação visual ou sensação de desmaio.
- Cansaço extremo súbito.
Ao chegar à unidade de saúde, os médicos confirmaram que Mario estava sofrendo um infarto grave apelidado de “fazedor de viúvas”, um tipo de ataque cardíaco considerado especialmente perigoso por causa das baixas taxas de sobrevivência.
Exames mostraram um bloqueio de 95% na artéria descendente anterior esquerda, responsável por levar sangue para a parte frontal do coração. Para salvar a vida dele, foi preciso implantar dois stents no coração, dispositivos que ajudam a restaurar o fluxo sanguíneo na artéria.
Segundo os médicos, a causa do infarto pode estar relacionada a uma condição genética que o torna mais suscetível a problemas cardíacos, mas novos exames ainda estão sendo realizados.
Recuperação e conscientização
Após passar pelo procedimento e receber alta hospitalar, Mario agora se recupera em casa. Ele precisará usar medicamentos anticoagulantes e continuar o acompanhamento médico enquanto os especialistas investigam a possível causa do infarto.
Além da recuperação, a família também enfrenta despesas médicas. Para ajudar a custear os gastos, o casal criou uma vaquinha online que já arrecadou mais de 9 mil libras, equivalente a cerca de 57 mil reais.
O episódio também levou Mario e Stephanie a refletirem sobre o tempo que levaram para procurar atendimento. Segundo ele, a gravidade da situação só ficou clara quando a dor se tornou insuportável.
“Poderíamos ter ido ao hospital mais cedo. Mas, naquele momento, nem passou pela nossa cabeça que eu estava tendo um ataque cardíaco”, afirma.
Stephanie conta que também não imaginava que os sintomas pudessem indicar algo tão sério. “Ele estava acordando durante a noite para cuidar do nosso bebê de seis meses, então achei que ele estava apenas cansado”, diz.
Agora, depois do susto, Mario decidiu usar as redes sociais para alertar outras pessoas sobre os sinais de um infarto, inclusive entre pessoas jovens e aparentemente saudáveis.
Segundo ele, compartilhar a experiência é uma forma de incentivar que as pessoas levem sintomas como dor no peito mais a sério e procurem atendimento médico o quanto antes.
Por: Metrópoles








