A crise no transporte público de Rio Branco voltou a dominar os debates na Câmara Municipal, nesta terça-feira, 17, com críticas diretas à atuação do próprio Legislativo e cobrança pela instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o serviço prestado na capital.
Durante sessão, vereadores apontaram omissão da Casa diante dos problemas envolvendo a empresa Ricco Transporte e a falta de avanço na abertura da CPI, que segue sem o número mínimo de assinaturas.
O vereador Eber Machado afirmou que a responsabilidade pela situação atual do transporte coletivo recai sobre os próprios parlamentares. “Para mim o grande culpado não é o prefeito de Rio Branco, não é o Ministério Público, não é o Tribunal de Contas. Para mim o grande culpado é essa casa”, declarou.
Segundo ele, desde o início do mandato há alertas sobre irregularidades na operação do serviço, incluindo ônibus irregulares e veículos registrados em nome de terceiros. Eber também questionou os dados financeiros apresentados pela empresa. “Essa empresa em quatro anos já levou daqui dos acreanos quase 250 milhões de reais. Para onde foi esse dinheiro?”, disse.
O parlamentar ainda criticou a rejeição de requerimentos para convocar representantes da empresa e da RBTrans. “Essa casa não tem moral para falar em transporte público”, afirmou.
Pressão por CPI
A proposta de criação da CPI tramita desde o início de 2025 e conta atualmente com cinco assinaturas: Neném Almeida, Eber Machado, Fábio Araújo, André Kamai e Zé Lopes. Para ser instaurada, são necessárias sete assinaturas.
Eber Machado voltou a cobrar apoio dos colegas. “Faltam duas assinaturas. Quem vai assinar para que nós possamos mostrar toda a verdade?”, questionou.
Na mesma linha, o vereador Neném Almeida também criticou a atuação da Câmara e classificou a postura dos parlamentares como omissa. “Essa casa é um verdadeiro teatro, é um verdadeiro circo. A omissão que essa casa está tendo é brincar com a população”, declarou.
Ele afirmou que, apesar dos discursos, não há medidas concretas para investigar o transporte público e voltou a cobrar a assinatura da CPI. “Assina a CPI, faltam só duas. É muito tranquilo, deixe investigarem”, disse.
Neném Almeida afirmou ainda que dará prazo de um mês para que a CPI avance. Caso contrário, disse que poderá retirar sua assinatura do pedido. “Se não tiver, eu irei retirar a minha, porque eu não vou ser boi de piranha”, declarou.








