A audiência pública que discutiria o transporte coletivo de Rio Branco, marcada para esta sexta-feira, 6, na Câmara Municipal, foi cancelada após a empresa Ricco Transportes e Turismo Ltda. informar que não participaria do debate. A decisão gerou críticas entre vereadores da capital, que cobraram explicações da concessionária responsável pelo serviço.
O encontro havia sido aprovado pelo Legislativo após a própria empresa solicitar anteriormente uma audiência para discutir a operação do Sistema Integrado de Transporte Urbano de Rio Branco (SITURB). No entanto, dias depois, a Ricco encaminhou um ofício pedindo a retirada do pedido inicial.
No documento, assinado pela sócia-administradora Bruna Fernandes Dias e protocolado na Câmara na segunda-feira, 23, a empresa afirmou que pretende encaminhar relatórios técnicos detalhados ao Parlamento com informações sobre a operação do sistema, movimentação financeira e dados administrativos do transporte coletivo.
Segundo a concessionária, o envio desses documentos permitiria análise técnica e jurídica por parte dos vereadores, o que tornaria a audiência pública “supervenientemente desnecessária”.
Apesar da solicitação da empresa, os vereadores aprovaram um requerimento próprio para realizar a audiência, que foi marcada para esta sexta-feira, 6. A discussão acabou sendo cancelada após a Ricco informar que não compareceria.
Críticas de vereadores
O vereador Aiache criticou a ausência da concessionária e afirmou que a decisão levanta dúvidas sobre a capacidade da empresa de explicar a situação do transporte coletivo na capital.
“Se a Ricco cancelou é porque ela não tem argumentos para explicar a precariedade do transporte deles. Se ela cancelou é porque ela não tem como explicar isso. Ela está sendo pago os subsídios, está sendo pago as nossas passagens, todo passageiro paga a passagem, agora ela não tem como explicar porque não faz manutenção, porque não dá manutenção nos veículos”, declarou.
O parlamentar também questionou as condições da frota utilizada no sistema. “Porque não tem frota nova e nem razoável”, acrescentou.
Questionamentos sobre transparência
Outro vereador que se manifestou sobre o caso foi André Kamai (PT). Ele afirmou que não se surpreendeu com a decisão da empresa e criticou o que classificou como falta de transparência na relação entre a concessionária e a Prefeitura de Rio Branco.
“Olha, eu sinceramente não me surpreendo com isso, a prática de não-transparência tanto da Ricco quanto da prefeitura é constante, isso tem acontecido desde o início desse contrato”, afirmou.
Kamai também disse lamentar que a Câmara possa ter sido utilizada no processo de negociação entre a empresa e o Executivo municipal.
“Eu lamento sinceramente que a Câmara talvez tenha sido usada para que a Ricco resolvesse seus problemas com a prefeitura. Me parece que a Ricco levantou essa bola da possibilidade dessa audiência pública para pressionar a prefeitura para renovar o contrato. Agora que a renovação aconteceu, eles desistiram”, disse.
O vereador afirmou que espera uma posição mais firme da Câmara diante da situação. “É lamentável que a Câmara tenha sido usada dessa forma. Eu espero que a mesa diretora da Câmara tome uma postura mais firme com relação a isso. Nós somos uma instituição, um poder que não pode ser utilizado nessa relação espúria entre a prefeitura e a Ricco”, declarou.
Kamai também criticou os impactos da situação para os usuários do transporte coletivo. “É uma relação que tem prejudicado a população, tem dado prejuízo ao povo, inclusive colocado a vida das pessoas em risco”, afirmou.
O parlamentar informou ainda que pretende discutir o caso com o vereador Fábio Araújo, autor do requerimento da audiência pública, para avaliar quais medidas poderão ser adotadas pelo Legislativo.
“Nós, na retomada na semana que vem dos trabalhos, vou dialogar com o vereador Fábio, que é quem fez o requerimento, para ver quais os procedimentos que nós vamos adotar com relação a esse comportamento, tanto da Ricco quanto da prefeitura”, disse.
Ao comentar a situação do sistema de transporte coletivo na capital, Kamai afirmou que o episódio reforça críticas já feitas sobre a gestão do setor. “Mas o que nós estamos vendo aí é a continuidade da tal da caixa preta que o prefeito criou no transporte coletivo de Rio Branco”, concluiu.








