O nível do Rio Acre pode ficar abaixo da média em 2026, segundo prognóstico hidrometeorológico apresentado pelo Ministério da Defesa durante evento sobre o comportamento dos rios da Amazônia. O levantamento inclui dados de monitoramento climático e hidrológico e traz projeções para os próximos meses na região amazônica.
Durante a apresentação, o analista em ciência e tecnologia do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), Flávio Altieri, destacou que a maioria dos rios da Amazônia se encontra dentro da normalidade para o período. No entanto, alguns cursos d’água podem registrar níveis inferiores aos observados no ano passado.
Entre eles está o Rio Acre, monitorado em Rio Branco, além do Rio Xingu (Boa Sorte-PA), Araguaia (Xambioá-TO) e Tocantins (Marabá-PA).
“Isso preocupa no sentido de que, daqui a alguns meses, terá início um processo de estiagem. É uma região que vem sofrendo muito nos últimos anos”, alertou Altieri.
Influência de fenômenos climáticos
O meteorologista Laurizio Alves, também analista do Censipam, explicou que o clima da Amazônia é influenciado principalmente por dois fenômenos oceânicos: El Niño, associado ao período seco, e La Niña, que interfere no regime de chuvas.
Segundo ele, em 2026 a La Niña apresentou intensidade fraca, diferente do que ocorreu em 2023 e 2024, quando a região enfrentou um período mais seco e marcado por queimadas.
Outro fator que tem influenciado o clima amazônico é o aquecimento das águas do Oceano Atlântico, observado no último mês. Esse comportamento contribuiu para um período mais seco em áreas como o Acre e Roraima.
Previsão de chuvas para o Acre
Apesar da preocupação com o nível de alguns rios, o prognóstico climático indica que as chuvas devem ficar acima da média no leste do Acre até maio.
A tendência também se estende para áreas do extremo-leste do Amazonas, Roraima e norte do Amapá.
Já em outras partes da Amazônia Legal, como centro e oeste do Mato Grosso, sudeste do Pará, Tocantins e centro-sul do Maranhão, a previsão é de chuvas abaixo da média, o que aumenta o alerta para a possibilidade de queimadas durante o período seco.
O estudo apresentado pelo Censipam integra o monitoramento climático da Amazônia e serve como base para o planejamento de ações de prevenção e gestão de riscos ambientais na região.








