A Justiça do Acre recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) contra cinco jogadores da Associação Desportiva Vasco da Gama (Vasco-AC) investigados por violência sexual contra duas mulheres. A decisão foi proferida pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Rio Branco. A informação foi divulgada nesta sexta-feira, 13, pelo MPAC.
Com o recebimento da denúncia, os atletas passam oficialmente à condição de réus no processo criminal. O caso agora seguirá para a fase de instrução, quando serão colhidos depoimentos e analisadas as provas apresentadas pelas partes.
De acordo com a denúncia do MPAC, os fatos teriam ocorrido na madrugada de 14 de fevereiro de 2026, em uma residência localizada no bairro Baixa da Colina, em Rio Branco. O imóvel seria utilizado como alojamento de jogadores de futebol de um clube local.
Segundo as investigações, as duas vítimas participavam de uma festa de carnaval quando passaram a interagir com alguns dos jogadores. Posteriormente, foram convidadas a ir até a residência onde os suspeitos moravam.
No local, conforme aponta a denúncia, as mulheres teriam sido submetidas a atos de violência sexual praticados por múltiplos homens, em um contexto de vulnerabilidade e intimidação.
Os acusados foram denunciados pelos crimes previstos nos artigos 213 e 217-A do Código Penal, que tratam de estupro e estupro de vulnerável, com agravantes e concurso de pessoas.
Ao analisar o caso, o juízo entendeu que existem indícios suficientes de autoria e materialidade dos crimes, considerando elementos reunidos durante a investigação, como depoimentos das vítimas, testemunhos colhidos pela polícia, relatório do inquérito e registros de atendimento médico.
Com a decisão, a Justiça manteve a prisão preventiva de Erick Luiz Serpa Santos Oliveira e converteu em prisão preventiva a prisão temporária de Brian Peixoto Henrique Ilziario.
Além disso, foi decretada a prisão preventiva de Alex Pires Bastos Júnior, Lucas de Abreu de Melo e Bernardo Barbosa Nunes, após reconsideração da decisão anterior que havia concedido liberdade provisória.
Relembre o caso
A investigação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), que apurou uma denúncia de estupro coletivo envolvendo jogadores do Vasco-AC.
Durante a apuração, quatro atletas chegaram a ser presos inicialmente. O inquérito policial concluiu que não havia indícios suficientes para indiciar dois dos investigados, enquanto outros jogadores foram indiciados pelo crime de estupro.
No relatório final da Polícia Civil, o jogador Alex Pires Júnior, conhecido como “Lekinho”, não foi indiciado após a vítima afirmar em depoimento que a relação sexual com ele ocorreu de forma consensual.
Já em relação ao atleta Matheus Silva, conhecido como “Manga”, a investigação apontou ausência de justa causa para indiciamento devido à falta de reconhecimento formal e à impossibilidade de individualização da conduta durante os fatos apurados.
Por outro lado, o inquérito indicou elementos para o indiciamento dos jogadores Erick Luiz Serpa Santos Oliveira e Brian Peixoto Henrique Iliziario, que permaneceram presos durante a investigação.
Com a conclusão do inquérito, o procedimento foi encaminhado ao Ministério Público, que analisou as provas reunidas e decidiu apresentar denúncia à Justiça.