O uso da internet por crianças exige atenção redobrada das famílias. A avaliação é da neuropsicóloga e analista do comportamento Luciana Assen, que chama atenção para os riscos presentes no ambiente digital e reforça a necessidade de acompanhamento constante por parte dos pais.
A declaração ocorre em meio à repercussão da morte de uma criança de 10 anos em Sena Madureira, caso que é investigado pela Polícia Civil do Acre e que tem, entre as linhas de apuração, a possível relação com desafios virtuais. Diante do episódio, a especialista foi ouvida pelo portal A GAZETA para falar sobre os impactos do ambiente digital no desenvolvimento infantil.
Segundo ela, a tecnologia já faz parte da rotina das novas gerações, o que torna inviável uma proibição absoluta em muitos casos. “Nos dias atuais é muito complicado eu dizer que tem como privar totalmente a criança. É claro que existe um limite. Crianças muito pequenas, o ideal é que elas não tenham acesso. Mas, a partir de oito, nove anos, muitas acabam tendo”, afirmou.
A especialista explica que o ambiente virtual funciona como um espaço social. “Ele é um ambiente social porque, apesar de virtual, lá dentro as crianças podem interagir e fazer amizades. E assim como no ambiente físico, a gente precisa supervisionar essas relações”, destacou.
Para ela, a orientação dada no mundo real deve ser replicada no digital. “Como a gente orienta: ‘meu filho, não fala com desconhecido’? No virtual é da mesma forma. Pode utilizar? Pode, mas com supervisão. Precisa ser um ambiente supervisionado”, reforçou.

Riscos e impactos
Luciana ressalta que existem dados internacionais que apontam consequências do uso inadequado da internet. “Existem estatísticas. Internacionalmente falando, uma em cada cinco crianças é afetada de alguma forma dentro desse ambiente, porque ele traz riscos de fato”, afirmou.
Entre os principais perigos, ela cita “cyberbullying, acesso a conteúdos inapropriados e incitação de ações perigosas fora desse ambiente”.
A especialista explica que o desenvolvimento cognitivo infantil ainda não está plenamente formado, o que dificulta a avaliação de riscos. “Uma criança que não está com a parte cognitiva totalmente formada não consegue avaliar de fato quais são as consequências das ações dela dentro daquele jogo”, disse.
Ela também alerta para situações em que adultos se passam por crianças nas plataformas digitais. “Quando um adulto que se passa por criança submete a um teste, eles não conseguem avaliar as consequências reais disso. Eles são impulsivos”, relatou.
Além dos riscos imediatos, a exposição excessiva pode gerar reflexos no cotidiano. “A gente tem comprometimento do sono. Crianças mais ansiosas que não conseguem desacelerar e dormir bem. Isso reflete na vida escolar também”, explicou.
Segundo Luciana, o tempo de uso costuma ultrapassar o recomendado. “A gente não tem uma criança que diz ‘fiquei só 30 minutos’. Eles ficam quatro horas, seis horas, em livre demanda. E essa livre demanda, sem supervisão, é extremamente perigosa.”
Diálogo como ferramenta de proteção
Apesar dos alertas, a neuropsicóloga não defende a exclusão total da tecnologia, mas sim o acompanhamento próximo. Para ela, a chave está no equilíbrio e na comunicação aberta dentro de casa.
“Comunicação, estar perto do seu filho, entender o que está acontecendo ao redor dele, criar um canal aberto de confiança”, destacou.
Ela orienta que, diante de qualquer situação, os pais priorizem o acolhimento. “Se acontecer alguma coisa, não já repreender, mas ouvir primeiro, acolher primeiro. Aí você gera confiança para que a criança traga o que aconteceu.”
Para Luciana, a prevenção passa por clareza e presença ativa dos responsáveis. “Ser bem sincero, ser transparente, falar sobre os perigos. Acho que a conversa, a clareza e explicar na medida do possível fica mais fácil de controlar esse acesso”, concluiu.
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