Ataques racistas registrados durante um debate entre candidatos à reitoria da Universidade Federal do Acre (Ufac) provocaram manifestações de repúdio de candidatos, entidades e da própria instituição. As ofensas foram direcionadas à professora Almecina Balbino, candidata ao cargo de vice-reitora.
O episódio ocorreu na noite de quinta-feira, 12, durante transmissão ao vivo do debate pela internet. Segundo relatos, mensagens com conteúdo racista foram publicadas no chat enquanto a docente fazia uso da palavra.
Almecina integra a chapa “Juntos pela Ufac”, que tem como candidato a reitor o professor Carlos Paula de Moraes. Após o episódio, Moraes divulgou um vídeo nas redes sociais no qual repudiou as ofensas e manifestou solidariedade à candidata.
Outras chapas que participam da eleição também se pronunciaram. A chapa “Radical é a Mudança”, formada pelas professoras Raquel Ishii e Suerda Mara, publicou nota de repúdio aos ataques ocorridos durante a transmissão do debate. A chapa “Dialogando com as Pessoas e Construindo o Futuro”, composta pelos professores Josimar Batista e Marco Amaro, também manifestou apoio à candidata e condenou as mensagens racistas.
Entidades e instituições ligadas ao meio acadêmico também divulgaram posicionamentos. O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Acre (Crea-AC) publicou nota de solidariedade à professora e repudiou as ofensas registradas durante o debate.
O Laboratório Interdisciplinar de Formação de Educadores da Ufac (Life) também divulgou manifestação de repúdio ao episódio.
A reitoria da Universidade Federal do Acre publicou posicionamento institucional condenando qualquer forma de discriminação e reiterando a necessidade de respeito durante o processo eleitoral da universidade.
Nota de repúdio da Ufac:
“A gestão superior da Ufac vem a público manifestar seu mais veemente repúdio aos ataques de racismo direcionados à professora Almecina Balbino, pró-reitora de Inovação e Tecnologia, com reconhecida trajetória acadêmica e candidata à vice-reitora, ocorridos nos comentários da transmissão do debate entre as chapas candidatas para a eleição da Ufac, quadriênio 2026-2030, realizada no canal da UfacTV no YouTube.
O comentário reproduz uma violência incompatível com os princípios que orientam a universidade, na tentativa de deslegitimar a ocupação dos espaços de alta gestão pela professora Almecina Balbino, contribuindo por reproduzir o racismo estrutural presente na sociedade.
A instituição reafirma que manifestações racistas são inaceitáveis e configuram grave violação aos direitos humanos, aos princípios democráticos e aos valores que orientam a universidade pública, plural e comprometida, com o respeito à diversidade.
A Ufac se solidariza com a professora Almecina Balbino e reforça seu compromisso permanente no combate à discriminação, adotando as medidas cabíveis para apuração dos fatos e responsabilização de envolvidos, conforme a legislação vigente”
Nota de repúdio de Carlos Moraes, titular da chapa de Almecina:
“A chapa Juntos pela UFAC vem a público manifestar repúdio ao comentário racista ocorrido durante a transmissão do debate realizado no canal da UfacTV.
Racismo é crime e não pode, em hipótese alguma, ser tratado como opinião, brincadeira ou manifestação aceitável dentro da universidade ou em qualquer espaço da sociedade.
A Universidade Federal do Acre deve ser um ambiente de respeito, diversidade, inclusão e dignidade para todas as pessoas. Por isso, nos solidarizamos com a professora Almecina e com todos aqueles que, em algum momento, já foram atingidos pelo preconceito e pela discriminação.
Reafirmamos nosso compromisso com uma universidade mais justa, representativa e verdadeiramente inclusiva, onde atitudes racistas não tenham espaço.
Não ao racismo. Não ao preconceito.
Chapa Juntos pela UFAC”