Oito municípios do Acre aparecem em condição de seca moderada no monitoramento nacional que avalia riscos para a agricultura familiar no país. O dado consta no boletim mais recente do RiSAF (Risco de Seca na Agricultura Familiar), divulgado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), com análise referente ao mês de fevereiro.
De acordo com o levantamento, 110 municípios da região Norte apresentam condição de seca moderada, sendo 90 no Tocantins, 12 em Rondônia e 8 no Acre. O estudo considera principalmente áreas onde o plantio de milho e feijão não irrigados está em andamento, culturas muito dependentes da regularidade das chuvas.
O monitoramento leva em conta o calendário agrícola da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que indica os períodos de plantio em cada região. Segundo o relatório, 21 estados brasileiros estão com calendário de plantio vigente, o que exige acompanhamento das condições climáticas para evitar perdas nas lavouras.
O que significa a condição de seca moderada
O relatório explica que diferentes níveis de seca podem afetar as lavouras em momentos distintos do ciclo agrícola.
Quando o déficit hídrico ocorre no início do plantio, pode provocar atraso no calendário agrícola. Já quando a seca ocorre no meio do ciclo das culturas, o impacto pode ser mais grave, podendo levar à queda na produtividade ou até perda de safra.
A condição classificada como seca fraca indica atenção, mas nem sempre representa impacto direto na produção. Já as categorias moderada, severa ou excepcional indicam maior risco de prejuízos para os agricultores, dependendo da duração e do momento em que ocorre a falta de chuva.
Como o risco é calculado
O monitoramento da seca utiliza o Índice Integrado de Seca (IIS), indicador que reúne diferentes informações climáticas e ambientais.
Entre os dados considerados estão:
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déficit de chuva em períodos mensais;
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umidade do solo em profundidade;
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saúde da vegetação, avaliada por imagens de satélite;
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temperatura e vigor das plantas.
A combinação desses fatores permite identificar áreas com maior probabilidade de impactos na agricultura familiar.
Risco de seca para o plantio
Além da análise da severidade da seca, o relatório também avalia o risco de perdas na agricultura familiar considerando o período de plantio.
Para as áreas com plantio realizado em fevereiro de 2026, o estudo aponta:
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63 municípios com risco alto de seca no país, distribuídos entre as regiões Nordeste, Norte, Centro-Oeste, Sul e Sudeste;
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220 municípios com risco moderado, sendo 45 deles localizados na região Norte.
O levantamento considera que o risco de seca está diretamente relacionado à exposição ao déficit hídrico, às condições socioeconômicas dos agricultores e à capacidade de adaptação das propriedades rurais.
Segundo o Cemaden, o objetivo do monitoramento é orientar ações preventivas e planejamento agrícola, permitindo que agricultores e gestores públicos acompanhem possíveis impactos da falta de chuva nas lavouras.








