Motoristas da empresa Ricco Transporte foram à Câmara Municipal de Rio Branco, nesta terça-feira, 10, em busca de apoio de vereadores após uma série de demissões registradas nos últimos dias. Segundo trabalhadores, ao menos 25 funcionários foram desligados, sendo 16 apenas na segunda-feira, em meio a questionamentos sobre as condições de trabalho e a forma como os desligamentos ocorreram.
Um dos trabalhadores que relatou a situação foi o motorista José Felizardo, de 45 anos, que atuou por quatro anos na empresa. Ele afirma que foi demitido após uma paralisação de advertência realizada pela categoria.
“É uma perseguição muito grande em cima da gente porque a gente fez uma paralisação de advertência e fomos crucificados com essa demissão em massa”, afirmou.
Segundo ele, dois motoristas teriam sido demitidos por justa causa sem explicação formal. “Eu e outro motorista fomos prejudicados porque pegamos justa causa e saímos como se fosse uns cachorros. Eu nem sei o motivo da demissão”, declarou.
José afirma que não recebeu comunicação oficial da empresa sobre o desligamento. “Oficialmente eu não recebi nada, só fui informado que estava sendo demitido por justa causa e por terceiros, não foi nem pela empresa”, disse.
O motorista também relatou que não foi submetido ao procedimento padrão de desligamento. “Não me mandaram fazer o exame demissional e eu nem sei o motivo da demissão”, afirmou.

Reclamações sobre pagamentos
De acordo com o trabalhador, também há reclamações sobre o pagamento de verbas trabalhistas. “O que a gente apurou é que eles não estão pagando. Inclusive tem alguns que já saíram e estão com três meses e não receberam ainda”, afirmou.
Ele disse que pretende recorrer à Justiça para contestar a demissão. “No meu caso vai ter que ir para a Justiça. Foi justa causa, aí vai ser revertido na Justiça”, declarou.
Condições de trabalho
José também criticou as condições de trabalho na empresa desde que ela começou a operar na cidade, em 2022. “A Ricco, desde quando chegou aqui em 2022, vem tratando a gente como se fosse escravo”, disse. Segundo ele, promessas feitas no início do contrato não teriam sido cumpridas. “Quando eles chegaram aqui prometeram muita coisa pra gente, disseram que iam cumprir com as obrigações, mas nada disso fizeram”, afirmou.
O motorista também citou problemas relacionados à estrutura e ao fornecimento de uniformes. “Nem farda pra gente deram. Vieram dar farda pra gente depois de três anos, e uma farda sem qualidade, que estraga por pouca coisa”, declarou.
Sobre a rotina de trabalho, ele afirma que os motoristas enfrentam dificuldades para cumprir necessidades básicas durante o expediente. “A gente muitas vezes não tem tempo nem de se alimentar, não tem tempo nem de ir no banheiro”, disse.
Segundo José, os salários também passaram a apresentar atrasos. “Pagaram o salário em dia nos primeiros meses e depois sempre vem atrasando”, afirmou.
Os trabalhadores afirmaram que foram à Câmara Municipal para buscar apoio político e tentar abrir diálogo sobre a situação. “A gente está tentando o apoio de alguns vereadores, apesar da dificuldade, pra ver se a gente consegue alguma coisa”, declarou.








