O ator Wagner Moura, 49, chamou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de “Trump brasileiro” em entrevista exibida em rede nacional nos Estados Unidos nesta quarta-feira (4), na reta final da campanha do Oscar.
O programa “Jimmy Kimmel Live!”, da emissora ABC, dedicou boa parte da conversa de oito minutos à política brasileira e ao contexto em que surgiu o filme “O Agente Secreto”, que rendeu a Moura a indicação ao Oscar de Melhor Ator, e ainda concorre em outras três categorias, inclusive Melhor Filme.
Ao comentar o discurso de Jimmy Kimmel em outra premiação, no Critics Choice Awards, em janeiro, Moura disse que cogitava agradecer a Bolsonaro se vencesse o Oscar, em referência ao agradecimento irônico que o apresentador americano fez a Donald Trump.
“Eu pensei que era uma ideia brilhante e que eu deveria basicamente agradecer ao Bolsonaro. Bolsonaro é o nosso Donald Trump brasileiro”, afirmou Moura, arrancando risos e aplausos da plateia.
Em seguida, Kimmel reforçou a comparação ao lembrar que, na visão dele, Bolsonaro é “anti-gay, anti-mulher, anti-todo mundo”. E “anti-democracia”, lembrou Moura.
O ator brasileiro disse que “O Agente Secreto” nasceu do estranhamento que ele e o diretor do filme, Kleber Mendonça Filho, sentiram em relação ao que acontecia no país durante o governo Bolsonaro (2018-2022).
Segundo o protagonista do filme brasileiro, o longa surgiu a partir da forma como os dois observavam o ambiente político e social sob o governo Bolsonaro, e por isso ele afirma que o filme “não teria acontecido” sem esse contexto.
Ao falar sobre a reação institucional aos ataques de 8 de janeiro de 2023, em Brasília, Moura comparou a situação brasileira com os eventos de 6 de janeiro de 2021, nos Estados Unidos.
Ele afirmou que os dois países viveram episódios semelhantes, com contestação de resultados eleitorais, invasão de prédios públicos e depredação. “A gente teve exatamente a mesma coisa, um negacionista da eleição incentivando as pessoas invadirem as instituições e destruírem tudo.”
Na avaliação de Moura, porém, o Brasil respondeu de forma mais veloz. Ele afirmou que o país foi “muito rápido” em prender participantes e financiadores dos atos, além de responsabilizar Bolsonaro.
“O Brasil foi muito rápido em mandar as pessoas para a cadeia. O Bolsonaro está preso. Os financiadores estão presos”, resumiu Moura.
Por: CNN Brasil







