A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nessa segunda-feira (9/3) a comercialização do teplizumabe no Brasil, primeiro medicamento autorizado no país com ação direta sobre o processo que leva ao diabetes tipo 1.
A terapia representa uma mudança importante na forma de lidar com a doença, já que não se baseia na reposição de insulina, estratégia tradicional usada atualmente.
O remédio é indicado para adultos e crianças a partir dos 8 anos que estejam no estágio 2 da doença. Nessa fase, o organismo já apresenta alterações relacionadas ao diabetes tipo 1, como presença de autoanticorpos e mudanças nos níveis de glicose, mas os sintomas ainda não apareceram.
A proposta do tratamento é justamente retardar a evolução para o estágio seguinte da doença, quando a hiperglicemia se torna evidente e o diagnóstico clínico costuma ser feito.
O que é diabetes tipo 1?
- A diabetes mellitus tipo 1 (DM1) é uma doença crônica não transmissível, hereditária, caracterizada pela deficiência de insulina no organismo.
- O pico de incidência do DM1 ocorre em crianças e adolescentes, entre 10 e 14 anos, e em adultos de qualquer idade.
- No Brasil, estima-se que ocorram 25,6 casos por 100 mil habitantes a cada ano, sendo considerada uma incidência elevada.
- O tratamento exige o uso diário de insulina para regular os níveis de glicose no sangue, evitando complicações da doença.
Como o medicamento age no organismo?
O teplizumabe é um anticorpo monoclonal, um tipo de medicamento produzido em laboratório para atuar de forma específica em determinadas células do sistema imunológico.
Na diabetes tipo 1, o próprio sistema de defesa do organismo ataca e destrói as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina. Com o tempo, a perda dessas células impede o controle adequado da glicose no sangue.
O medicamento atua justamente nesse processo. Ao modular a resposta imunológica, ele ajuda a preservar parte das células beta, retardando a progressão da doença.
Estudos indicam que essa estratégia pode adiar o surgimento dos sintomas da diabetes tipo 1 por até dois anos em alguns pacientes.
Para famílias que convivem com alto risco da doença, esse intervalo pode representar mais tempo para se preparar para o tratamento e para as mudanças de rotina que costumam acompanhar o diagnóstico.
Como é feito o tratamento?
O teplizumabe é administrado por infusão intravenosa, geralmente em ambiente hospitalar ou ambulatorial. O tratamento é feito uma vez ao dia durante duas semanas consecutivas.
Por atuar diretamente no sistema imunológico, o medicamento é considerado um imunomodulador. Isso significa que ele modifica a forma como o organismo responde ao processo que leva ao diabetes tipo 1.
A terapia não substitui completamente a necessidade de insulina quando a doença já está instalada. O principal objetivo é retardar a progressão da condição antes que os sintomas apareçam.
Por: Metrópoles








