A advogada Marina Belandi utilizou as redes sociais na noite de terça-feira, 10, para relatar ameaças e ataques sofridos durante o exercício de sua profissão. O caso motivou a emissão de uma nota oficial de repúdio pela Seccional Acre da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AC).
De acordo com o relato da profissional, as intimidações ocorreram enquanto ela prestava assistência a uma cliente em uma delegacia. A cliente buscava auxílio estatal após meses de extorsão e ameaças. Segundo Marina, o agressor manteve o envio de mensagens e ligações mesmo na presença de autoridades policiais.
Ao assumir a interlocução técnica do caso, a advogada relatou ter sido alvo de ameaças diretas, incluindo a menção ao seu endereço residencial pelo agressor. O relato aponta ainda a ocorrência de ataques de gênero, com a exigência de que a negociação fosse conduzida por um homem e o questionamento da capacidade técnica da profissional, além de desafio às instituições, visto que o autor das mensagens afirmou pertencer a uma organização criminosa e declarou não temer as autoridades.
“A linha que separava a advogada da vítima foi rompida. De defensora, passei a ser alvo”, desabafou Marina em seu texto, ressaltando que o ataque é uma tentativa de silenciamento contra as mulheres que ocupam espaços de poder e defesa.
Em um vídeo compartilhado por Marina, o agressor não se intimida em professar retaliações contra a advogada. “Não tenho medo de nada, estou para matar ou morrer”, diz o homem no áudio.
Apesar da gravidade das ameaças, Marina Belandi encerrou seu manifesto com um tom de resistência, cobrando que a rede de proteção às advogadas seja efetiva e compreenda as nuances de gênero envolvidas na violência. “Apesar da gravidade das ameaças, Marina Belandi encerrou seu manifesto com um tom de resistência, cobrando que a rede de proteção às advogadas seja efetiva e compreenda as nuances de gênero envolvidas na violência”.
O caso agora segue sob acompanhamento da Comissão de Prerrogativas da OAB/AC, que reforçou a importância de que qualquer advogado ou advogada que sofra intimidações denuncie imediatamente o ocorrido à Ordem.
Ver essa foto no Instagram
Reação da OAB/AC
Em resposta ao ocorrido, a OAB Seccional Acre emitiu uma nota pública de repúdio assinada pela presidente em exercício, Thaís Moura, e pela coordenadora de Prerrogativas da Mulher Advogada, Caren Oliveira de Araújo.
A instituição classificou o episódio como uma “grave violação às prerrogativas da classe e afronta direta ao Estado Democrático de Direito”. A OAB informou que já acionou as autoridades de Segurança Pública do Estado para garantir uma apuração rigorosa e a proteção imediata da advogada.
“A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB/AC), manifesta veemente repúdio às ameaças dirigidas à advogada Marina Belandi, fato noticiado nesta terça-feira, 10.
A intimidação de profissionais no exercício da advocacia representa grave violação às prerrogativas da classe e afronta direta ao Estado Democrático de Direito. O livre exercício da advocacia é indispensável à administração da Justiça e deve ser assegurado com segurança e respeito.
Diante do ocorrido, a OAB Acre adotou postura imediata e proativa. A Seccional já entrou em contato com a advogada e também com autoridades da Segurança Publica Estadual para análise do caso e definição das medidas cabíveis, a fim de garantir a apuração rigorosa dos fatos e a proteção da profissional.
A Coordenação de Prerrogativas da Mulher Advogada também já se colocou à disposição para prestar todo o apoio necessário. A OAB Acre permanece atenta e acompanhará o caso de perto, reafirmando que está à disposição de toda a advocacia acreana.
Reforçamos, ainda, a importância de que situações dessa natureza sejam prontamente comunicadas à Ordem, para que as providências institucionais possam ser adotadas com a celeridade necessária.
Thaís Moura
Presidente em exercício da OAB/AC
Caren Oliveira de Araújo
Coordenadora de Prerrogativas da Mulher Advogada”








