Após operações de fiscalização que identificaram irregularidades em postos de combustíveis no Acre, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado (Sindepac) passou a defender uma ampliação das ações de controle em toda a cadeia produtiva, como forma de esclarecer a alta dos preços ao consumidor.
O presidente da entidade, Delano Silva, afirmou que a fiscalização precisa ir além dos postos e alcançar desde a origem do combustível até a venda final. “É necessário haver uma fiscalização do poço ao posto”, destacou, ao defender mais transparência no processo de formação dos preços.
Segundo ele, há uma interpretação equivocada que responsabiliza apenas os donos de postos pelos reajustes. Delano reforçou que os revendedores não são os responsáveis diretos pelos aumentos e que o debate precisa envolver todos os elos da cadeia.
“O governo precisa parar de buscar culpados isolados e ser claro com a população sobre a formação dos preços”, afirmou.
Fiscalização recente identificou irregularidades
Entre os dias 10 e 13 de março, uma operação integrada fiscalizou pelo menos 25 postos de combustíveis no estado, com inspeção de 356 bicos de abastecimento. Desse total, 14 foram reprovados, o que representa cerca de 4% de irregularidades.
A ação também resultou na lavratura de cinco autos de constatação e na emissão de seis relatórios de orientação pelo Procon/AC, além de duas autuações realizadas pelo Instituto de Pesos e Medidas (IPEM/AC).
As fiscalizações ocorreram em Rio Branco, Senador Guiomard e Bujari e fazem parte da operação “Tô de Olho no Abastecimento Seguro e na Medida Certa”, que reúne órgãos como Procon, ANP, Inmetro e Senacon.
Durante as inspeções, foram verificados itens como qualidade do combustível, funcionamento das bombas, exposição de preços e formas de pagamento. Em casos de irregularidades, equipamentos podem ser interditados.
Cadeia de preços e fatores externos
Delano Silva também apontou que mudanças na política de comercialização da Petrobras têm impacto direto nos preços praticados no estado. Segundo ele, alterações na forma de venda da estatal afetam as distribuidoras e, consequentemente, o valor final ao consumidor.
Além disso, o presidente do Sindepac citou fatores internacionais como influência no cenário. Ele mencionou conflitos no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã, como elementos que impactam o preço do petróleo no mercado global.
“O cenário atual é complexo e marcado por instabilidade no mercado internacional de energia”, explicou.
Para o sindicato, a solução passa por uma fiscalização mais ampla, incluindo distribuidoras e demais etapas da cadeia produtiva.
“Não adianta fiscalizar apenas a ponta ou colocar o posto contra a população. É preciso acompanhar toda a cadeia para entender onde realmente está o problema”, concluiu.