Em um cenário de intensificação das pressões climáticas, a preservação das florestas volta ao centro do debate ambiental no Brasil e no mundo, em destaque no Dia Mundial das Florestas, celebrado em 21 de março. No Acre, a atuação integrada entre instituições governamentais, com protagonismo da Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas (Sepi), reforça o papel estratégico dos povos originários na proteção dos territórios e na conservação dos recursos naturais.
A secretária dos Povos Indígenas, Francisca Arara, destaca que a articulação entre órgãos governamentais, sociedade civil, organismos internacionais e o movimento indígena amplia a efetividade das ações nos territórios e fortalece a garantia de direitos. Nesse contexto, a gestão territorial e ambiental, por meio dos Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs), orienta a implementação de programas e projetos. É assim que as iniciativas se conectam às realidades locais e incorporam as vozes dos povos indígenas.
“Temos atuado para fortalecer a autonomia desses povos, manter a presença do Estado nos territórios indígenas e assegurar que as ações cheguem às comunidades. É fundamental que as políticas estejam alinhadas às realidades e às necessidades de cada povo. A participação indígena nos espaços de decisão é parte desse processo, sobretudo porque esses povos já enfrentam, direta e indiretamente, os efeitos das mudanças climáticas. A proteção dos territórios exige investimento, coordenação entre diferentes esferas e o reconhecimento de que manter a floresta em pé tem custo e requer compromisso contínuo.”
Os efeitos das mudanças climáticas atingem as cidades, mas é nos territórios indígenas que se revelam de forma mais intensa e imediata, diretamente ligados à relação com a floresta. Nesse contexto, as terras indígenas se tornam espaços privilegiados de observação dessas transformações. Lideranças e agentes indígenas relatam mudanças nos padrões climáticos, na configuração da paisagem e nas dinâmicas locais ao longo dos últimos anos.
Na Terra Indígena Puyanawa, em Mâncio Lima, na fronteira com o Peru, o agente agroflorestal Lucas Azevedo acompanha de perto os impactos do aumento das temperaturas e das mudanças no clima, que alteram a paisagem e intensificam os desafios de preservação.
“Ao comparar o passado com o presente, percebo, nos últimos quatro anos, maior conscientização sobre o aumento do calor. Apesar das altas temperaturas, há mais incentivo à conservação, com ampliação de áreas arborizadas e maior preocupação com o desmatamento e os impactos do desenvolvimento desorganizado. Desenvolver não é errado, mas precisa ser planejado”, afirmou o coordenador da Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre (AMAAIAC).
Cooperação institucional
A articulação entre a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e a Sepi é central na condução das políticas públicas no Acre. Enquanto a Sema executa ações ambientais e reforça a resposta aos incêndios florestais, a pasta indígena fortalece a integração institucional com a sociedade civil nas Terras Indígenas.
No âmbito de sua atuação, a Sema promoveu a formação de brigadistas comunitários para prevenção e combate ao fogo, com a participação de indígenas Huni Kuin da comunidade Área Viva, em Área de Proteção Ambiental (APA). A iniciativa ampliou a capacidade de resposta às queimadas e a vigilância do território.
No Acre, a execução dos Planos de Gestão das Terras Indígenas (PGTIs) assegura investimentos definidos pelas próprias lideranças, com aquisição de equipamentos e insumos que ampliam a proteção da floresta e a autonomia local.








