Uma confusão armada a milhares de quilômetros de distância, no Oriente Médio, pode acabar pesando no bolso dos acreanos. Após ataques envolvendo o Irã, os Estados Unidos e Israel, o preço do petróleo subiu rapidamente no mercado mundial. No início desta segunda-feira, 2, o valor do barril saltou 10%, chegando a custar mais de 82 dólares.
A preocupação maior dos especialistas é com o Estreito de Ormuz, uma passagem no mar por onde passa 20% de todo o petróleo e gás do mundo. Se o conflito continuar e essa passagem for bloqueada ou sofrer novos ataques, o preço do combustível pode disparar ainda mais.
O “efeito dominó” no Acre
Mas como isso chega até nós? O portal A GAZETA conversou com Egídio Garó, economista da Federação do Comércio do Acre (Fecomércio), para explicar essa ligação. Segundo ele, o aumento não atinge apenas quem tem carro ou moto, mas todo mundo que faz compras.
“Devemos sentir aumento na gasolina, no diesel e no gás de cozinha. Isso cria um efeito cascata: se o combustível sobe, o frete (transporte) fica mais caro e os produtos chegam com preços maiores aqui no Acre”, explica Garó.
O economista acalma o consumidor dizendo que o aumento não acontece no mesmo dia do ataque. “Só vamos perceber quando as novas remessas de produtos chegarem aos postos e mercados. Isso leva alguns dias. Mas é preciso acompanhar de perto para ver como esses preços vão oscilar”, pontua.
Por que tudo sobe junto?
Hoje em dia, a economia do mundo todo está conectada. Quase tudo o que consumimos no Acre vem de fora e depende de caminhões ou navios para chegar até aqui.
“O aumento nos preços será sentido no mundo inteiro. Além do combustível que usamos aqui dentro, as mercadorias que o Brasil vende para fora e as que compra de outros países também vão ficar mais caras para transportar”, afirma o economista da Fecomércio.
A maior preocupação da Federação agora é com os produtos que não podem faltar na casa do cidadão. “Estamos de olho principalmente nos itens essenciais, como comida e remédios, para acompanhar como essa movimentação internacional vai afetar o custo de vida das famílias”, finaliza Garó.