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“Estava me sentindo sufocada”: acreana que chegou a 102 kg relata luta contra a obesidade e perda de 35 kg

No Dia Mundial da Obesidade, Thayla Fernanda conta como enfrentou compulsão alimentar, dores físicas e baixa autoestima até mudar a rotina e buscar tratamento.

Maria Meirelles por Maria Meirelles
04/03/2026 - 14:00
Antes e depois de Thayla Fernanda (Foto: Arquivo Pessoal)

Antes e depois de Thayla Fernanda (Foto: Arquivo Pessoal)

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Respirar com dificuldade, sentir dores constantes nas pernas e precisar de vários travesseiros para conseguir dormir. Foi assim que a empresária e social media Thayla Fernanda, de 32 anos, passou a viver quando o peso chegou a 102 quilos, apesar da baixa estatura de 1,52 metro. O impacto da obesidade ultrapassou a estética e passou a afetar diretamente a saúde, a mobilidade e a autoestima.

“Eu estava me sentindo sufocada. Meu corpo não estava aguentando mais o peso. Não conseguia ficar muito tempo em pé porque as minhas pernas doíam muito e, para deitar, precisava de vários travesseiros, senão a sensação de sufocamento vinha forte”, recorda.

A realidade vivida por Thayla reflete um cenário que preocupa especialistas em saúde e volta ao debate nesta quarta-feira, 4, quando é celebrado o Dia Mundial da Obesidade. A data busca ampliar a conscientização sobre uma doença considerada complexa e que envolve fatores biológicos, emocionais, sociais e ambientais.

Além das limitações físicas, o excesso de peso também afetou a forma como Thayla se via. Antes ativa nas redes sociais e acostumada a trabalhar como modelo plus size, ela percebeu que havia se afastado de algo que sempre gostou.

“Eu percebi que parei de tirar fotos. Eu sempre gostei, mas naquele momento eu nem percebi que tinha parado, a minha autoestima estava abaixo do chão”, conta.

"Estava me sentindo sufocada”: acreana que chegou a 102 kg relata luta contra a obesidade e perda de 35 kg
Thayla chegou a pesar 102 Kg (Foto: Arquivo Pessoal)

O labirinto das dietas e a compulsão

Antes de encontrar o equilíbrio, Thayla percorreu o caminho tortuoso das soluções imediatistas. “Desde que me entendo por gente sempre fiz muitas dietas malucas. Dieta do ovo, da proteína, do iogurte… uma tal dieta do cardiologista onde a gente quase não comia. Fiz as maiores loucuras que você pode imaginar”.

No entanto, o problema era mais profundo do que a escolha do cardápio. Thayla entendeu que sua relação com a comida era um escape emocional. “Meu peso estava relacionado a problemas de compulsão alimentar e ansiedade. Se eu estava muito triste, comia muito. Se estava muito feliz, também. E não era comer até ficar cheia, era comer até passar mal, até não conseguir nem respirar direito”, desabafa.

Crise global

A realidade vivida por Thayla reflete uma crise de saúde pública que avança em escala global. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade em adultos mais que dobrou desde 1990, enquanto entre adolescentes o índice quadruplicou. Em 2022, 1 em cada 8 pessoas no mundo vivia com a doença, somando mais de 890 milhões de adultos obesos. O cenário é igualmente preocupante na infância, com 35 milhões de crianças menores de 5 anos acima do peso em 2024.

A OMS classifica a obesidade como uma doença crônica e recidivante, fruto de interações complexas entre genética, comportamentos alimentares e ambientes “obesogênicos” criados pela globalização. O diagnóstico é fundamentado no Índice de Massa Corporal (IMC), onde o sobrepeso é definido por um índice igual ou superior a 25, e a obesidade a partir de 30. No Brasil e no mundo, o acúmulo excessivo de gordura é um marcador de risco para doenças cardiovasculares, diabetes e até certos tipos de câncer, tendo causado cerca de 3,7 milhões de mortes por doenças não transmissíveis apenas em 2021.

Além do impacto humano, a epidemia gera consequências econômicas severas. Projeções indicam que, sem intervenções eficazes que incluam desde a taxação de bebidas açucaradas até a criação de espaços seguros para atividades físicas, os custos globais da obesidade podem atingir US$ 18 trilhões até 2060. A organização reforça que o combate à doença exige uma resposta eficaz do sistema de saúde para identificar o ganho de peso em estágios iniciais, combatendo também o estigma e o bullying associados à condição.

A virada com apoio humano

A mudança real começou em outubro de 2022, quando Thayla decidiu “virar a chave” e buscar ajuda profissional. Sua primeira recomendação é clara: “Procure profissionais humanos, que te ajudem e te ensinem, e não que aterrorizem a sua cabeça!”.

Após eliminar 25 kg com dieta e musculação — hábito que hoje ela define como um “alívio mental” — o processo estagnou. Foi quando, sob supervisão médica, ela introduziu o medicamento Mounjaro em 2025 para tratar a compulsão e os níveis hormonais. “Eu sempre tive bloqueio com remédio, tinha muito medo. Mas entendi que, se eu parasse, o peso voltava. É um processo para o resto da vida”, explica.

“Muita gente começa o tratamento, vê o resultado e para por conta própria. Esse é o maior erro. Eu entendi que a obesidade é uma doença crônica. Se eu parar o tratamento, meu peso vai voltar, porque a minha genética e o meu emocional ainda estão lá. O remédio não é milagre, é uma ferramenta que me ajuda a ter controle. É um processo para o resto da vida e precisa de responsabilidade.”

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"Estava me sentindo sufocada”: acreana que chegou a 102 kg relata luta contra a obesidade e perda de 35 kg
Thayla é um exemplo de superação e persistência (Foto: Arquivo Pessoal)

O novo presente

Hoje, com 35 kg a menos e à frente da Agência Conecta, Thayla vive uma rotina de constância. Ela não abriu mão dos prazeres, como o pagode e a cerveja, mas aprendeu a importância do “retorno”. “Quando faço algo fora da rotina, no outro dia eu volto como se nada tivesse acontecido. Transformei o que era um pesadelo em algo prazeroso”, comemora.

A história de Thayla Fernanda reforça a mensagem deste Dia Mundial da Obesidade: o tratamento deve ser livre de estigmas e focado na saúde integral. Para ela, o maior prêmio não foi apenas o novo manequim, mas a liberdade de voltar a respirar, e a sorrir para as câmeras, sem dor e com saúde.

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