A escalada de conflitos internacionais volta a pressionar o mercado global de combustíveis. Sempre que tensões geopolíticas atingem regiões produtoras de petróleo, o primeiro reflexo aparece no preço do barril, que sobe diante do risco de interrupção de oferta e rotas comerciais. Esse movimento gera efeitos em cadeia na economia mundial, pressionando combustíveis, fretes e inflação em diversos países.
No Brasil, o impacto imediato tem sido parcialmente amortecido pela estratégia adotada pela Petrobras , que evita repassar de forma automática a volatilidade internacional para os preços internos. Essa postura funciona como um amortecedor momentâneo, reduzindo choques bruscos no bolso do consumidor e na economia doméstica em períodos de grande instabilidade global.
Entretanto, essa decisão cria um efeito colateral relevante: a defasagem entre os preços praticados no Brasil e os preços internacionais. Quando o petróleo sobe no exterior e os valores domésticos permanecem contidos, importadores passam a operar com margens comprimidas ou inviáveis. Na prática, ocorre um verdadeiro enforcamento dessas empresas, que compram combustível mais caro no mercado externo e encontram dificuldade para competir internamente.
Não estou defendendo aumento de preços, até porque combustíveis mais caros prejudicam o consumo e pressionam toda a economia. No entanto, também é preciso reconhecer a realidade do mercado: se a guerra se prolongar e o petróleo permanecer elevado no cenário internacional, dificilmente será possível manter indefinidamente os preços domésticos desconectados dessa realidade.
O problema é que a Petrobras sozinha não consegue abastecer todo o mercado brasileiro. O país ainda depende da atuação de importadores para complementar a oferta, especialmente de diesel. Quando a defasagem de preços aumenta e esses agentes reduzem suas operações, o risco é pressionar o abastecimento e concentrar ainda mais o mercado. O desafio, portanto, é encontrar um equilíbrio entre estabilidade de preços, segurança de abastecimento e funcionamento saudável do mercado.
Marcello Moura
Empresário, presidente da CDL Rio Branco e líder do movimento Cidadania Empreendedora.








