Em um estado que lidera o ranking nacional de feminicídios, a ampliação do acesso à justiça no interior torna-se um serviço de utilidade pública essencial. Nesta semana, a delegada Juliana De Angelis, coordenadora do Programa Bem-Me-Quer, detalhou como a Polícia Civil do Acre (PCAC) tem estruturado o atendimento humanizado para mulheres, especialmente em municípios que ainda não contam com uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).
A ação principal para a população é a garantia de que a falta de uma delegacia específica não é barreira para o socorro. “Nos locais onde não há Deam, o Bem-Me-Quer entra com uma sala especialmente preparada e estruturada para oferecer um ambiente seguro”, explicou a delegada. Atualmente, o programa já está presente em nove municípios acreanos.
Entenda o suporte disponível
Nas unidades que possuem a estrutura completa, o atendimento não se limita ao registro do Boletim de Ocorrência (BO). A rede oferece:
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Equipe Multidisciplinar: Suporte de psicólogos e assistentes sociais.
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Acompanhamento: Orientações que vão desde o primeiro contato até o suporte psicossocial contínuo.
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Medidas Protetivas: Instrumento jurídico classificado pela delegada como a maior inovação da Lei Maria da Penha. “Dados mostram que mulheres que buscaram esse instrumento conseguiram interromper o ciclo de violência”, pontuou De Angelis.
Identificando o ciclo da violência
Um alerta importante feito pela delegada à comunidade é a necessidade de identificar agressões que nem sempre deixam marcas físicas. A violência muitas vezes começa de forma sutil, através de:
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Agressão Psicológica: Controle excessivo e isolamento da vítima.
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Violência Patrimonial: Controle de bens e dinheiro.
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Violência Moral: Calúnia ou difamação dentro do relacionamento.
Como buscar ajuda?
A Polícia Civil reforça que o combate à impunidade é prioridade, com o cumprimento semanal de mandados de prisão contra agressores em todo o estado. Para as vítimas ou testemunhas, os canais de denúncia são:
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Qualquer Delegacia de Polícia: Para registro presencial da ocorrência.
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Disque 180: Canal nacional para denúncias anônimas e orientações.
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Emergência: Em situações de risco imediato, ligue 190.
“Identificar os sinais e denunciar são passos fundamentais para salvar vidas”, concluiu a delegada.