O tenente da reserva da Polícia Militar do Acre, Reginaldo de Freitas Rodrigues, de 56 anos, acusado de matar a esposa a tiros dentro de casa, será levado a júri popular. A decisão é da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Rio Branco, que reconheceu a existência de indícios suficientes para que o caso seja analisado por jurados.
O crime ocorreu na madrugada de 27 de setembro de 2025, no bairro Mocinha Magalhães, em Rio Branco, e foi presenciado pelas duas filhas da vítima, de 3 e 7 anos. Ionara da Silva Nazaré, de 26 anos, morreu após ser atingida por disparos de arma de fogo dentro da residência da família.
De acordo com a decisão de pronúncia, há provas da materialidade do crime e indícios consistentes de autoria, o que justifica o envio do caso ao Tribunal do Júri.
Como ocorreu o crime
Segundo a investigação, o crime ocorreu após uma discussão entre o casal, relacionada a questões financeiras, incluindo pagamento de pensão alimentícia de um filho do acusado de relacionamento anterior.
Antes dos disparos, o militar teria quebrado objetos dentro da casa, como televisão, celulares e tablet. Em seguida, já na varanda do imóvel, utilizou uma pistola calibre .40, arma da corporação, para atirar contra a vítima.
A decisão destaca que Ionara estava desarmada e em situação de vulnerabilidade no momento dos tiros, o que pode caracterizar dificuldade de defesa.
Filhas presenciaram a cena
O depoimento de uma das filhas, colhido de forma especial durante o processo, foi considerado um dos principais elementos de prova. A criança relatou ter ouvido os disparos e visto a mãe caída no chão logo depois.
Testemunhas também confirmaram que, logo após o crime, a filha mais velha apontou o pai como autor dos disparos.
Prisão mantida
O acusado chegou a fugir após o crime, mas se apresentou posteriormente à polícia. Inicialmente preso de forma temporária, ele teve a prisão convertida em preventiva, que foi mantida na decisão.
O juiz considerou a gravidade do caso, o fato de o crime ter sido cometido dentro de casa, na presença de crianças, e o uso de arma de fogo da corporação como fatores que justificam a manutenção da prisão.
Crime é tratado como feminicídio
A decisão enquadra o caso como feminicídio, por ter ocorrido no contexto de violência doméstica e familiar. Também foram consideradas circunstâncias que podem aumentar a pena, como o fato de a vítima ser mãe de crianças e o crime ter sido praticado na presença das filhas.
Além disso, o processo aponta possível motivação considerada fútil, relacionada à discussão financeira entre o casal.
Com a decisão, o caso segue para a fase de julgamento pelo Tribunal do Júri, onde os jurados irão decidir pela condenação ou absolvição do acusado. Ainda não há data marcada para o julgamento.








