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Caso Vasco-AC: Polícia Civil aponta falta de indícios contra dois jogadores e indicia outros dois por estupro

Caso Vasco-AC: Polícia Civil aponta falta de indícios contra dois jogadores e indicia outros dois por estupro

O inquérito policial que apura a denúncia de estupro envolvendo jogadores da Associação Desportiva Vasco da Gama (Vasco-AC) concluiu que não há indícios suficientes para indiciar dois dos atletas investigados, enquanto outros dois foram indiciados pelo crime de estupro. O relatório final foi elaborado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) e detalha a conduta de cada envolvido com base em depoimentos, provas testemunhais e exames periciais.

A GAZETA teve acesso ao documento, que também fundamentou a revogação das prisões temporárias dos jogadores Alex Pires Júnior, conhecido como “Lekinho”, e Matheus Silva, o “Manga”, na última terça-feira, 10.

De acordo com o relatório, a Polícia Civil decidiu pelo não indiciamento de Alex Pires Júnior por considerar haver “atipicidade penal da conduta”. O documento aponta que a própria vítima afirmou em depoimento que a relação sexual com o atleta ocorreu de forma consensual, em um contexto de empolgação sexual, sem evidências de violência ou coação.

“A delegada não encontrou indícios ou provas mínimas para indiciar o Alex, pela lógica simples de que a própria vítima foi clara em seus depoimentos. Ela afirmou reiteradamente que o ato sexual com ele foi consensual; não houve violência ou coação. O relatório apenas reflete o que a própria jovem relatou às autoridades”, afirmou o advogado Robson Aguiar.

Situação de Matheus Silva

Em relação ao jogador Matheus Silva, o relatório também aponta ausência de justa causa para indiciamento. A justificativa apresentada pela investigação menciona a falta de reconhecimento formal e a impossibilidade de individualização precisa da conduta durante a apuração.

A defesa do atleta classificou a prisão como “escabrosa” e afirmou que Matheus não teve qualquer tipo de envolvimento íntimo com as denunciantes. Segundo o advogado Robson Aguiar, o jogador foi detido inicialmente por estar no local junto ao grupo, mas o próprio inquérito concluiu que não há indícios de crime cometido por ele.

Dois jogadores indiciados

Por outro lado, o relatório da Polícia Civil aponta elementos para o indiciamento dos jogadores Erick Luiz Serpa Santos Oliveira e Brian Peixoto Henrique Iliziario, que seguem investigados pelo crime de estupro.

Durante a investigação, a Justiça também determinou a conversão das prisões temporárias dos dois atletas em prisões preventivas, medida que mantém ambos presos enquanto o caso segue em tramitação.

Com a conclusão do inquérito, a Polícia Civil encerrou sua etapa de investigação. O procedimento agora será encaminhado ao Ministério Público do Acre, responsável por analisar o relatório e decidir se apresenta denúncia à Justiça contra os investigados.

Relembre o caso

A denúncia envolve um suposto estupro coletivo ocorrido na madrugada de 13 de fevereiro, no alojamento da Associação Desportiva Vasco da Gama, em Rio Branco.

Segundo o relato apresentado à Polícia Civil, duas mulheres foram ao local para um encontro inicialmente consensual, mas uma das jovens afirmou ter sido submetida a atos sexuais sem consentimento por parte de quatro atletas.

Após o registro da ocorrência, os jogadores Erick Serpa, Matheus Silva, Brian Peixoto e Alex Pires foram presos durante o andamento das investigações.

O caso ganhou grande repercussão no estado, especialmente após manifestações públicas do clube em apoio aos atletas durante partidas oficiais e após o anúncio da contratação do goleiro Bruno, condenado por homicídio no passado, o que ampliou o debate sobre a postura da instituição diante de denúncias de violência contra a mulher.

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