Diante do que classificam como uma “epidemia” de violência contra a mulher no estado, o Comitê 8 de Março promove, nesta sexta-feira, 6, uma plenária estratégica no Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), em Rio Branco.
O encontro, marcado para as 9h, visa confrontar os altos índices de feminicídio e estupro no Acre, pressionando para que as instituições respondam de forma presencial às reivindicações do movimento.
Um dos principais motivos para a realização da plenária é a ausência de retorno dos órgãos públicos às demandas apresentadas no ano passado. Almerinda Cunha, uma das organizadoras do Comitê 8 de Março, revelou que, de todos os órgãos acionados em 2025 — incluindo secretarias, Ministério Público, Defensoria e Tribunal de Justiça —, apenas a OAB apresentou uma resposta formal à pauta de reivindicações.
“Esse ano nós estamos chamando de plenária para reunir todos os movimentos de mulheres e os órgãos governamentais para eles responderem de forma presencial para nós o que vai ser feito para coibir essa violência”, afirmou Almerinda.
Prevenção e estrutura
Para o movimento, o enfrentamento à violência exige medidas que vão além do aumento das penas criminais. Almerinda destaca a necessidade urgente de funcionamento efetivo dos meios preventivos e serviços públicos, apontando falhas estruturais no estado:
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Segurança Pública: Cobrança por delegacias abertas 24 horas e a implementação da Patrulha Maria da Penha em todos os municípios.
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Déficit de Pessoal: Questionamento sobre o déficit de mil policiais não contratados e a falta de formação para agentes comunitários de saúde atuarem no aconselhamento e prevenção ao feminicídio.
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Educação: Convocação de instituições como Ufac e Ifac para contribuir com uma educação antirracista, antimachista e não homofóbica.
Incidência política
A plenária é vista como um passo crucial de incidência política, buscando evitar a revitimização de mulheres em delegacias e assegurar que o sistema de proteção funcione na prática. O Comitê 8 de Março reforça que a gravidade dos fatos e a necessidade de reeducar a sociedade estarão no centro do debate com os gestores públicos.






