O Conselho Estadual de Direitos das Mulheres do Acre (Cedim) se manifestou oficialmente contra a gestão da Prefeitura de Rio Branco durante o lançamento da campanha “Março Mulher”, nesta terça-feira, 3. Em nota assinada pela presidenta Geovana Castelo Branco, o órgão detalha a escassez de recursos e a falta de estrutura institucional para o atendimento às mulheres na capital.
Segundo o Cedim, a Lei Orçamentária Anual (LOA) destinou apenas R$ 3,00 para as políticas voltadas às mulheres em Rio Branco. Em entrevista ao portal A GAZETA, Geovana Castelo Branco questionou a eficácia do montante:
“Como? Não dá para comprar nem um picolé, quanto mais fazer alguma ação com relação às mulheres. Isso é uma hipocrisia mesmo da parte dele.”
A presidente ressaltou ainda que Rio Branco é o único município do estado que ainda não nomeou uma responsável para o Organismo de Políticas para Mulheres (OPM), embora a estrutura já exista legalmente.
Críticas à gestão
Para Geovana, a prefeitura tem utilizado discursos sobre a importância da mulher que não correspondem à realidade prática da gestão. Ela mencionou episódios em que ações comuns da administração foram apresentadas como políticas de gênero:
“Ele [prefeito Tião Bocalom] teve a audácia de dizer que merenda escolar era política para mulher. Quando ele dava merenda escolar para os filhos das mulheres, ele já estava fazendo política para mulher. Que tudo era política para mulher”, relembra.
A conselheira pontuou que a capital apresenta índices alarmantes de violência, o que torna a falta de investimento ainda mais grave. “Rio Branco era para ser exemplo para os outros municípios por ser a capital. Era para ter uma política para mulher eficaz, não uma política de faz de conta. Rio Branco liderou o ranking, teve muitos feminicídios o ano passado.”
Diálogo Institucional
“O Cedim afirma ter buscado diálogo com a prefeitura e com a Câmara de Vereadores, sem obter respostas concretas sobre a nomeação da OPM ou o fortalecimento da rede de proteção.
“Várias vezes nós já buscamos dialogar com o prefeito, já fizemos reuniões com ele. A primeira vez, ele não nos recebeu. Aí quem nos recebeu nesse dia foi a primeira-dama. Eles [Prefeitura] disseram que iam mandar para o jurídico analisar sobre a lei da criação da OPM”, explica a presidente.
A nota de repúdio conclui que anunciar campanhas sem orçamento e estrutura é apenas uma estratégia de promoção política, exigindo ações sérias e devidamente financiadas para as mulheres rio-branquenses.
Resposta da gestão
O secretário Municipal de Assistência Social, João Marcos Luz, foi procurado para comentar as declarações do Cedim, porém não respondeu aos questionamentos até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto
Confira a nota na íntegra
O Conselho Estadual de Direitos das Mulheres do Acre, por meio de sua presidenta Geovana Castelo Branco, vem a público manifestar seu mais veemente repúdio às falas e atos da Prefeitura de Rio Branco durante o lançamento da chamada “Campanha Março Mulher”.
É inadmissível que, em um município onde não existe sequer uma Organização de Políticas para Mulheres (OPM) e cuja Lei Orçamentária Anual destinou vergonhosos R$ 3,00 para políticas públicas voltadas às mulheres, a gestão municipal tente se promover com discursos vazios e solenidades que não se traduzem em ações concretas.
A hipocrisia de celebrar o “mês da mulher” sem garantir recursos, estrutura e políticas efetivas para enfrentar a violência de gênero, ampliar a autonomia econômica e assegurar a dignidade das mulheres rio-branquenses, revela o descompromisso da atual administração com a pauta da igualdade e da justiça social.
Reativar conselhos sem garantir condições reais de funcionamento e anunciar campanhas sem orçamento é apenas maquiagem política. As mulheres de Rio Branco e do Acre não precisam de discursos, mas de políticas públicas sérias, contínuas e devidamente financiadas.
O Conselho Estadual de Direitos das Mulheres reafirma sua luta permanente pela efetivação de direitos e pela construção de uma sociedade livre de violência e desigualdade. Não aceitaremos retrocessos nem iniciativas meramente simbólicas que desrespeitam a vida e a dignidade das mulheres.
Rio Branco, 03 de março de 2026
Geovana Castelo Branco
Presidenta do Conselho Estadual de Direitos das Mulheres”








