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Kamai critica senadores por travarem projeto que equipara misoginia ao crime de racismo

Vereador afirma que recurso apresentado no Senado impede avanço de proposta que endurece punições para crimes de ódio contra mulheres.

Vitor Paiva por Vitor Paiva
10/03/2026 - 14:15
A fala foi dada durante o grande expediente na Câmara. Foto: Assessoria

A fala foi dada durante o grande expediente na Câmara. Foto: Assessoria

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O vereador André Kamai criticou, durante sessão na Câmara Municipal de Rio Branco nesta terça-feira (10), a atuação de senadores que apresentaram recurso para impedir o avanço de um projeto de lei que equipara o crime de misoginia ao crime de racismo no Congresso Nacional. Segundo o parlamentar, a medida representa um obstáculo no enfrentamento à violência contra mulheres no país.

De acordo com Kamai, a proposta em tramitação no Senado Federal busca incluir a misoginia, definida como o ódio contra mulheres por serem mulheres, entre os crimes de discriminação previstos na legislação brasileira.

“A misoginia é uma prática de ódio. De ódio às mulheres. De ódio às mulheres por serem mulheres”, afirmou.

Relação com feminicídio

Durante o discurso, o vereador associou o comportamento misógino a crimes mais graves contra mulheres, como o feminicídio.

“A misoginia é talvez o princípio, a origem do feminicídio. Dificilmente um homem pratica um feminicídio se ele não for um homem misógino”, declarou.

Tramitação do projeto

Segundo Kamai, o projeto havia sido aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado com caráter terminativo, o que permitiria o envio direto da proposta para a Câmara dos Deputados, sem necessidade de votação em plenário.

“Quando uma matéria é aprovada na CCJ em caráter determinativo, ela pode ser encaminhada diretamente para a Câmara sem necessariamente passar pelo plenário. É como se ela ganhasse um passe livre para acelerar a aprovação”, explicou.

No entanto, um grupo de senadores apresentou um recurso para que o texto também seja analisado pelo plenário do Senado antes de seguir para a Câmara.

Para Kamai, essa iniciativa acabou interrompendo o avanço da proposta. “Infelizmente um conjunto de senadores decidiu travar essa pauta e entrou com um recurso para que esse projeto não avançasse. Com isso, ele foi para a gaveta e está esperando a boa vontade da mesa diretora do Senado de colocar na pauta”, disse.

Críticas a senadores

Durante o pronunciamento, o vereador citou parlamentares que, segundo ele, estão ligados ao requerimento que pediu a análise da matéria pelo plenário.

Entre os nomes mencionados estão os senadores Flávio Bolsonaro, Alan Rick e Márcio Bittar. “Está ali o senador Flávio Bolsonaro, que quer ser presidente do Brasil. Um Brasil que é campeão de feminicídio. Mas ele acha que não é urgente um projeto que torna a misoginia um crime equiparado ao racismo”, afirmou.

Kamai também criticou a posição de parlamentares acreanos sobre o tema. “Também está no meio dessa articulação o senador Alan Rick, que quer ser governador do Acre. Ele também acha que não é urgente enfrentar o feminicídio e o ódio contra as mulheres neste país”, declarou.

O vereador também citou o senador Márcio Bittar. “Também está lá o senador Márcio Bittar, que quer ser senador de novo pelo Acre e que também acha que não é urgente que a gente torne a misoginia um crime grave e que possa ser julgado”, afirmou.

Debate sobre violência contra mulheres

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Kamai destacou que o Acre registrou 14 feminicídios no último ano e defendeu mudanças legislativas para enfrentar a violência de gênero.

“Enfrentar o feminicídio e o crime de ódio contra as mulheres é com atitude. É com mudança de lei, com garantia de política pública e com investimento”, disse.

O vereador também criticou o que classificou como incoerência entre discursos públicos e decisões políticas. “A gente vem aqui, faz discurso, faz homenagem, mas na hora de tomar decisão e usar o poder para mudar a realidade, é essa atitude que as pessoas eleitas tomam”, declarou.

Kamai afirmou que a população deve observar as posições assumidas pelos parlamentares. “Essas pessoas estarão no processo eleitoral pedindo voto para mulheres e dizendo que são contra o feminicídio. Mas, quando tiveram a oportunidade de usar o poder que têm, agiram contra as mulheres”, concluiu.

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