Se você ainda olha para o calendário e acha que 2026 é uma miragem distante, cuidado para não ser atropelado pelos fatos. Nas últimas 24 horas, o cenário político acreano saiu do estado de hibernação para uma ebulição que poucas vezes se viu com tanta antecedência. O tabuleiro não apenas se moveu; ele virou de cabeça para baixo, e o recado das urnas futuras começou a ser escrito agora.
Rachadura no edifício governamental
O Palácio Rio Branco e a vice-governadora Mailza Assis assistem, com uma mistura de surpresa e preocupação, a uma verdadeira debandada na Assembleia Legislativa. O golpe mais ruidoso veio da fronteira. O deputado Tadeu Hassem oficializou sua saída da base e não foi sozinho: levou consigo a ex-prefeita Fernanda Hassem. O destino? O palanque do senador Alan Rick.
Nos corredores da Aleac, o comentário é um só: Fernanda não atravessou a rua apenas para apoiar; ela entra no jogo com tamanho para ser a vice na chapa de Alan. Se confirmado, isso isola o governo em uma região vital como o Alto Acre. Para completar o clima de “salve-se quem puder”, o deputado Eduardo Ribeiro também recolheu seus pertences e desembarcou do barco governista na última terça-feira, 17.
O “Não” de Marcus Alexandre e o trunfo do MDB
Enquanto o governo tenta estancar a sangria, Marcus Alexandre quebrou o silêncio e mandou um recado curto e grosso: ele quer a Aleac. O ex-prefeito, escaldado pelas cicatrizes de 2022, deixou claro que não aceita o papel de vice novamente.
Mas Marcus não saiu de mãos abanando. Ele já cantou a pedra para a vaga de vice de Mailza: Jéssica Sales. O MDB, que não brinca em serviço, já marcou a data para o “xeque-mate”. No dia 28 de março, em um grande encontro estadual em Rio Branco, o partido deve bater o martelo. Jéssica é, hoje, o nome de consenso para dar musculatura à chapa palaciana.
Frente Ampla ou Terceira Via?
A oposição também apresenta suas novidades. O médico Thor Dantas (PSB) surge como o “fato novo”, trazendo um discurso de alternativa técnica e ética. O mais interessante, porém, é a sua sintonia fina com Jorge Viana. O ex-senador e atual presidente da ApexBrasil desembarca, nesta quarta-feira, 18, na capital com uma agenda que cheira a pré-candidatura ao Senado. A ideia de uma “Frente Ampla” ganha corpo, unindo a experiência de Viana ao frescor de nomes como Thor.
A Encruzilhada de Bocalom
E o que dizer de Tião Bocalom? O prefeito vive um drama digno de novela mexicana. Rejeitado pelo PL, ele busca abrigo no PSDB, mas a porta está entreaberta, não escancarada. O deputado Roberto Duarte revelou que a federação PSDB/Cidadania nacional exige alinhamento com Alan Rick. Bocalom agora se vê em uma encruzilhada jurídica e política: ou se rende ao projeto de Alan, ou corre o risco de ficar sem legenda para a disputa.
O resumo da ópera é claro: no Acre, a eleição não é para amadores e o “aquecimento” acabou. A base está em processo de pulverização e a oposição nunca esteve tão rápida no gatilho.
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