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“Um atraso institucional”: Elzinha critica ausência de organismo para mulheres e orçamento de R$ 3 em Rio Branco

"Um atraso institucional": Elzinha critica ausência de organismo para mulheres e orçamento de R$ 3 em Rio Branco

A capital do Acre vive um paradoxo administrativo: embora seja o maior município do estado, Rio Branco é hoje a única cidade acreana que não possui um Organismo de Políticas para as Mulheres (OPM). A denúncia, registrada pelo Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, gerou fortes críticas da vereadora Elzinha Mendonça (PP), que classifica a situação como um reflexo da falta de prioridade da gestão municipal com a metade feminina da população.

Em entrevista à GAZETA, a parlamentar, que é uma das duas únicas mulheres em uma Câmara majoritariamente masculina, observou que a inexistência de uma secretaria ou diretoria estruturada para formular e executar políticas públicas é um “atraso institucional” grave.

“É inadmissível que Rio Branco ainda não tenha um organismo para mulheres. Isso demonstra que a gestão não nos prioriza de forma alguma”, desabafou a vereadora, ressaltando que as mulheres enfrentam desafios diários como a violência doméstica e o feminicídio sem o apoio devido da prefeitura.

O orçamento de R$ 3 e as “escolhas” da gestão

A indignação da vereadora se estendeu à Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2026, que prevê o valor simbólico de apenas R$ 3,00 para as políticas destinadas às mulheres. Elzinha classificou o montante como “insignificante” e “vergonhoso”, afirmando que o orçamento revela as verdadeiras escolhas políticas da atual administração.

“Destinar esse valor é, na prática, dizer que a vida, a segurança e a autonomia das mulheres não estão entre as prioridades da gestão”, afirmou.

A vereadora destacou que votar a favor da LOA é um dever técnico, mas que os valores ali contidos são um “grito abafado” dentro do legislativo.

Resistência na Câmara

Elzinha Mendonça pontuou que se sente como uma “voz de resistência” dentro da Câmara Municipal, onde a pauta feminina muitas vezes é secundarizada. Segundo ela, defender as mulheres exige compromisso real, planejamento e investimento, elementos que, em sua visão, faltam no cenário atual de Rio Branco.

“Precisamos sair do discurso e partir para a ação concreta. Criar um organismo de políticas para as mulheres não é um favor, é obrigação do poder público”, concluiu a parlamentar, que prometeu seguir cobrando responsabilidade e ações efetivas para reverter o que chamou de “ausência de compromisso” com a dignidade das rio-branquenses.

Posicionamento da gestão

A reportagem buscou o posicionamento do secretário Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos de Rio Branco (SASDH), João Marcos Luz — pasta responsável pelas políticas de gênero no município —, nesta quinta-feira, 5, mas não obteve resposta até a última atualização desta matéria.

Embora a assessoria de comunicação da secretaria tenha se prontificado inicialmente a enviar uma nota, houve uma mudança de postura após a divulgação da denúncia feita pelo Conselho Estadual de Direitos da Mulher (Cedim). Em mensagem enviada à redação, a assessoria questionou a necessidade de um posicionamento oficial, alegando que “não sabia se compensaria responder, pois o texto já havia sido publicado”, e interrompeu o contato.

A GAZETA reitera que o espaço permanece aberto para que a gestão municipal apresente suas explicações e outros pontos de vista sobre os fatos narrados.

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