O cenário político do Acre ganha um novo componente geracional com o anúncio da pré-candidatura de Virgílio Viana (PV) a deputado federal. Aos 23 anos, o advogado e filho do ex-governador Tião Viana entra na disputa eleitoral, carregando o peso de um sobrenome histórico, mas com o desafio de consolidar uma identidade política própria, optando por não se filiar ao Partido dos Trabalhadores (PT), legenda onde sua família construiu décadas de hegemonia.
Em entrevista exclusiva À GAZETA, Virgílio descreveu sua motivação como um misto de inspiração familiar e indignação com o atual estado do Acre.
“Eu cresci nesse ambiente inspirado, vendo tanta entrega que a gente fez. Mas, nos últimos anos, ver o Acre tomar um rumo diferente, com a pobreza aumentando e milhares de pessoas indo embora em busca de oportunidade, fez com que eu não conseguisse me conformar”, afirmou.
Incomodado com o fluxo migratório de acreanos que deixam o estado em busca de uma vida melhor, Virgílio define sua entrada na política como um ato de “não conformismo”. Para o advogado, o contraste entre as riquezas naturais e históricas do Acre e o atual cenário, que ele considera ser de “abandono”, foi o estopim para transformar o amor pela terra em ação prática.
“Não podia ser diferente; me motivei a querer dar minha contribuição para melhorar as coisas por aqui”, explicou. Embora a política esteja em seu DNA, a decisão de se candidatar não foi uma imposição familiar, mas um movimento próprio que, inicialmente, gerou preocupação em seu pai, o ex-governador Tião Viana, devido à hostilidade do ambiente partidário atual. Somente após meses de insistência e ao demonstrar seu real propósito, Virgílio obteve o aval e o apoio entusiasmado da família para seguir com o projeto.
“Houve uma preocupação inicial da minha família, mas eu disse que eles já tinham dado a contribuição deles e agora era a minha vez de fazer a minha parte. Hoje, eles estão ao meu lado com muito orgulho para conquistarmos isso juntos”, revelou.
O legado e o “caminho próprio”
Embora reconheça com orgulho as obras e os avanços sociais das gestões de seu pai e de seu tio, Virgílio faz questão de pontuar que sua trajetória não é uma mera extensão do passado. A decisão de se filiar ao Partido Verde (PV), e não ao PT, foi um dos pontos mais sensíveis de sua articulação.
“A minha aproximação com o PV foi muito natural. O PV simboliza uma independência política. Sou filho do Tião e sobrinho do Jorge com muito orgulho, mas eu também sou o Virgílio, traçando meu próprio caminho com minhas próprias ideias”, explicou o pré-candidato.
Virgílio admitiu que a escolha gerou ruídos internos. “Existiu, de algumas lideranças [do PT], essa cobrança de que eu fosse para o partido. Mas tomei a decisão de somar de outra forma, dentro do campo progressista, pelo PV. No final, foi uma decisão acolhida com respeito.”
Críticas à atual gestão
Ao avaliar o atual cenário do estado, o advogado não poupou críticas, descrevendo Rio Branco e o interior sob um “abandono total”. Ele citou a degradação de espaços públicos como o Mercado Velho e o Parque da Maternidade, além de falhas básicas na infraestrutura e merenda escolar. “Não faz sentido a produção continuar crescendo e a pobreza também crescer. É uma sequência de erros na falta de atenção com os pequenos”, pontuou.
Sobre a polarização política e o avanço do conservadorismo no Acre, Virgílio demonstrou preocupação com o uso da religião no debate eleitoral.
“Nada mais baixo na política do que você querer utilizar a fé das pessoas para manipular ou fazer acreditar em caminhos que não são verdade. O povo acreano tem sido vítima de muita mentira.”
Juventude e renovação
Apostando na “juventude progressista”, Virgílio acredita que sua formação acadêmica, com passagens pelo STF e Ministério da Educação, em Brasília, somada ao desejo de renovação ética, pode atrair o eleitorado desencantado. Ele confirmou que contará com o apoio presencial de Tião Viana, durante a campanha, mas reforça que sua plataforma é voltada para o futuro.
“Me animo muito com a juventude que tem visto no meu nome uma chance de renovar a política, de colocar gente nova para ocupar esses espaços com uma política mais limpa e amorosa”, concluiu.