O Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado neste sábado, 21, reforça a importância da inclusão, do combate ao preconceito e da garantia de direitos. Em Rio Branco, a rotina da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) revela, na prática, como o acesso a um ambiente estruturado pode impactar o desenvolvimento educacional, social e emocional de pessoas com deficiência.
Entre os alunos atendidos, a trajetória de Tiago Moribe Lima, de 21 anos, tem chamado atenção dentro da instituição. Recém-chegado à Apae, após concluir o ensino médio, ele rapidamente passou a assumir um papel de destaque nas atividades e na convivência com os colegas.
Segundo a professora Joyce Rodrigues, Tiago se tornou uma referência dentro da sala. “Ele ajuda muito, já chegou como um aluno, um líder. Ele já chega e já ajuda os colegas”, afirmou.
A atuação do estudante também influencia o comportamento dos demais. “Ele chega sendo um exemplo pros colegas e os colegas pra ele”, disse a educadora. Em atividades coletivas, o reconhecimento é espontâneo. “Um colega chegou pra mim e falou assim: ‘nossa, o Tiago é muito inteligente, eu também quero falar assim’”, relatou.
Para a professora, esse tipo de interação reforça o papel da instituição no desenvolvimento coletivo. “Aqui nós somos todos iguais. Todas as crianças são tratadas de forma igual, respeitando as suas especificidades”, destacou.

Ambiente de desenvolvimento e pertencimento
A Apae é uma organização da sociedade civil presente em todo o país, voltada ao atendimento de pessoas com deficiência intelectual e múltipla. Em Rio Branco, o Centro de Atendimento Doutor Chalub Leite concentra atividades pedagógicas, terapêuticas e de inclusão.
Na unidade, os alunos contam com uma estrutura multidisciplinar que inclui ecoterapia, fisioterapia, educação física, informática e oficinas práticas.
“É um trabalho completo. Temos todo um suporte que faz com que eles se desenvolvam melhor”, explica Joyce Rodrigues.
Além da estrutura, o vínculo afetivo é apontado como parte essencial do processo. “Aqui a gente trabalha com amor. É o amor que move a gente, que faz com que a gente dê o nosso máximo por eles”, afirmou.
Segundo ela, os resultados aparecem no cotidiano. “Ver o brilho nos olhos, ver eles avançando, aprendendo… não tem preço”, disse.
Ensino adaptado e foco na autonomia
De acordo com a diretora pedagógica, Samara Alves, o trabalho da instituição é dividido entre o Atendimento Educacional Especializado (AEE), voltado para crianças, e a Educação de Jovens e Adultos (EJA), nos anos iniciais.
As atividades são organizadas para estimular tanto o aprendizado quanto a autonomia dos alunos. “A gente trabalha com projetos, vida diária e preparação para o mercado de trabalho”, explicou.

O atendimento contempla diferentes níveis de desenvolvimento. “Recebemos desde alunos que não são verbais até aqueles que já têm mais autonomia. E trabalhamos dentro dessa realidade”, afirmou.
A metodologia é baseada em práticas concretas e adaptadas. “Primeiro fazemos a estimulação, depois trabalhamos com jogos, oficinas, filmes e rodas de conversa. Só depois vamos para o quadro e o caderno, sempre de forma adaptada”, explicou.
Segundo a diretora, o processo exige persistência. “Muitas vezes você ensina hoje e amanhã o aluno não lembra. O desafio é continuar, porque eles conseguem aprender”, disse.
Pequenas conquistas, grandes avanços
Na rotina da Apae, cada avanço é considerado significativo. “Cada linha, cada palavra que eles conseguem escrever é uma vitória”, afirmou Samara.
O ambiente também é adaptado à dinâmica dos alunos, com atividades variadas ao longo do dia. “Eles não são um público de ficar quatro horas sentados. Trabalhamos com rotatividade entre atividades pedagógicas, recreação e laboratório”, explicou.
Para a diretora, o espaço vai além de uma instituição de ensino. “Esse lugar é a casa dos alunos. Eles entram de férias e já querem voltar”, relatou.
Mais que ensino, construção de vínculos
A atuação da Apae também envolve a construção de relações e o fortalecimento emocional dos alunos.
“A gente trabalha muito o emocional, porque eles chegam querendo se expressar, mostrar que sabem e que conseguem”, disse Samara.
O perfil dos profissionais é considerado fundamental nesse processo. “Aqui não é só ensinar. É amar, respeitar e ter persistência para esperar o tempo de cada aluno”, afirmou.

No contexto do Dia Internacional da Síndrome de Down, a professora Joyce Rodrigues reforça a importância de ampliar o olhar da sociedade sobre a inclusão.
“O amor não conta cromossomos. O sentimento que eu tenho por essas crianças é genuíno, é gratidão, é aprendizagem”, declarou.
A convivência, segundo ela, é uma via de aprendizado mútuo. “A gente tem muito a aprender com eles. Todos nós”, concluiu.
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