A influência grega na cultura portuguesa – Jornal A Gazeta

A influência grega na cultura portuguesa

A Grécia ocupa uma área montanhosa da Europa Oriental, que forma a extremidade meridional da Península dos Balcãs. É banhada ao leste pelo mar Egeu, ao sul pelo Mediterrâneo e a oeste pelo mar Jônio. Além da parte continental, a Grécia possui uma imensidade de ilhas e ilhotas rochosas. Calcula-se entre duas mil a três mil no total. Destas, umas 200 são habitadas. A maior delas é a famosa Creta, constituindo por si só um estado da federação.

A cultura grega influenciou a cultura românica, em especial na grande era helenística. Assim, da conquista de Alexandre à conquista romana, 333 – 63 A.C., a língua grega, devido a sua clareza e riqueza de expressão, foi utilizada como grande veículo para propagação do Evangelho. O Novo Testamento foi escrito em grego e o Velho Testamento foi traduzido para o grego, em Alexandria – Egito. As revelações de Apocalipse foram dadas a João na Ilha grega de Patmos. O próprio alfabeto latino é uma adaptação do alfabeto grego, como se vêm nos exemplos:

Observam-se, segundo dados históricos, que a civilização romana, filha da Grécia, cobre mais de doze séculos de história – da fundação de Roma em 753 a.C. até ao século V da atual era. A língua latina, idioma de um império na Antigüidade, influenciou toda a Europa. Dominando a Grécia pelas armas, os latinos não ficaram imunes à influência da cultura e da língua grega. Veiculada pelos escritores e oradores latinos, a língua grega infiltrou-se no latim como modelo privilegiado.  Essa infiltração foi tamanha que, na Antigüidade, o estrangeiro que não falasse o grego era discriminado, daí surgindo o termo bárbaro que indicava uma língua que não podia ser compreendida. Talvez, para não serem tomados por bárbaros, os romanos tenham se valido da língua grega não só como forma de caracterizar o prestígio do idioma, mas também como meio de enriquecer e renovar o vocabulário erudito.

A herança grega chegou às línguas românicas, enriquecendo-as consideravelmente com termos técnicos e científicos, além de muitas outras palavras. Em língua portuguesa, há inúmeras palavras de origem grega usadas no dia-a-dia: autóctones, crônica, demônio, fantasma, órfão, salamandra, bolsa, corda, caixa, ermo, golfo, gruta, tio, anjo, bispo, crisma, diabo, esmola, igreja, mosteiro, farol, guitarra, falange, gesto, sugestão, tigela, cara, calma, governar, alergia, gravador, eletrônica, filosofia, biologia, hipnose, micróbio, telégrafo, telepatia, academia, cara, cola, democracia, étimo, governar, liceu, pedagogo, apóstolo, bíblia, crisma, diocese, paróquia etc.

No campo da antroponímia, a língua portuguesa conta, também, com muitos nomes vindos do grego, tais como: Laís – significa “a que é popular, a amável com todos”; Larisa – nome de uma cidade da Grécia; Leandra(o) – “que é paciente nas suas adversidades e sofrimentos”; Leda – “a que é uma dama”. É uma personagem da Mitologia Grega; Leonor – “forte, mas compassiva e misericordiosa”; Lígia – nome de uma sereia da mitologia grega; Lina/o – “o que tece o linho”; Lisandra – feminino de Lisandro ou Elisandro, significa “libertador de homens”; Ofélia – “a caridosa, a que socorre”; Olímpia – “a que pertence ao Olimpo, a morada dos deuses”; Olimpo – “festa, céu, referente ao monte ou santuário Olimpo”; Orestes – “o que ama a montanha”; Orfeo – “que tem boa voz”.

Observa-se ser rica e complexa a contribuição grega aos idiomas originados do latim.  E muitas palavras chegaram às línguas neolatinas por meio do latim. Outras, notadamente as utilizadas pelas ciências, pelas artes e pela tecnologia, foram criadas durante os últimos séculos diretamente do grego.  Com isso, em vários aspectos culturais está ocorrendo, hoje, uma supervalorização aos valores da Grécia clássica, que se refletem na política, cultura, historiografia e costumes, deslocando para um segundo plano todo  legado humanístico de Roma, que também contribuiu na formação da cultura ocidental tanto quanto a influência grega.

Hoje, com a realização das Olimpíadas, em Atenas, o mundo pode observar  que a civilização grega apresenta o mais notável desenvolvimento artístico-cultural da Antigüidade. Seus valores intelectuais da lógica e da filosofia moldaram metade da mentalidade ocidental dos dias atuais.

 DICAS DE GRAMÁTICA

Ao escrever, ou mesmo na expressão oral, deve o falante tomar cuidado na elaboração de determinadas sentenças que podem expô-lo à situação vexatória. Por vezes, o encontro da sílaba de uma palavra com outra forma uma nova palavra de sentido ridículo  ou até mesmo obsceno. A isso se chama Cacofonia, um vício de linguagem de natureza fonética, que vem do grego cacos = mau, feio, defeituoso + fonos = som, voz. São exemplos que comumente escutamos ou lemos:

Tirei da boca dela. (cadela)

É mulher que se disputa. (se diz puta)

Vou-me já (vou mijar)

Como as concebo (como com sebo)

Essa é uma faca cara. (caca)

demais (fede mais)

Flávio Conceição pediu a bola e Cafu deu! (fudeu)

Eu mandaria um químico meu. (me comeu)

A cerca dela elétrica (cadela elétrica)

Confunde as senhas do banco (dê as senhas)

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 (*) Luísa Galvão Lessa Karlberg – Pós-Doutora em Lexicologia e Lexicografia pela Université de Montreal, Canadá; Doutora em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ.

 

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