Ando sem saco para o presente – Jornal A Gazeta

Ando sem saco para o presente

Já plenamente convencido da inutilidade das notícias do tempo presente – lá e cá, dominadas por textos repetitivos focados em governantes obtusos,  escandalosamente incapazes, excessivamente incultos e quase sempre carentes de nexo – optei por desviar-me do nojo e do enfado que inevitavelmente toda essa carência irremediável de engenho e arte nos provoca.

Para as marmotagens dos dias – e a sua necessária e irrecusável síntese para a defesa do amanhã – serei eclesiástico (Tudo tem o seu tempo debaixo do sol…). Afinal, catar absurdos diários e juntá-los depois para narrativas do que foi diante da pobreza do padrão de mediocridade repetitivo instalado, será mais fácil do que avistar o sol nos dias de verão.

Não sendo nada divertido o asqueroso enredo narrativo do ambiente que mais nos afeta, no caso, o desenho da conjuntura política – não por culpa daqueles que as descrevem e sim pela mesmice piorada dos seus personagens – resolvi procurar inspirações e motivações em outras fontes.

E nessa busca do alimento diário que a mente reivindica sem perdão, de início, optei por experimentar o deleite, por sinal, imensamente prazeroso, de visitar o passado, não como um neófito no ambiente, já que na máquina do tempo não figuro, digamos, como alguém que acabou de comprar o primeiro bilhete de viagem.

O que resolvi, diante do tempo ofertado pelos medíocres do presente, que me obrigam a recusá-los, foi aproveitar com um pouco mais de rigor as paisagens da janela da locomotiva do tempo.

E nesse vai e vem pelos mil novecentos e tanto, vezes mais longe, outras vezes mais pertinho, na biqueira do ontem próximo, na dureza dos dias desafiadores impostos àqueles que os viveram quando este humilde escriba nem ao menos figurava como um projeto de espermatozóide vencedor, tenho encontrado bravuras, histórias, exemplos e inspirações incríveis.

Vou ficando por aqui… Aqui, no meu presente passado, consigo visualizar algum engenho, e também, muita, muita, arte.

Como um sutil exemplo – sim, contarei essa história – trago hoje um grande encontro, um duelo de imortais no salão do Tribunal do Júri. Protagonizando os debates, dois grandes personagens da nossa história, ambos poetas, ambos irreverentes, singulares e boêmios.

Falando pela acusação, o Príncipe dos Poetas, Juvenal Antunes, o Promotor. Pela defesa, o Sol, Amanajós de Araújo.

Na platéia, cobrindo o grande duelo poético e jurídico, dois gigantes do jornalismo acreano: Garibaldi Brasil (o Gari, o Mestre, o Guru, o Decano) e João Mariano, o inesquecível seringueiro das letras.

Eu volto…

 

*Edinei Muniz 

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