ARTIGO: Mães visíveis e imprevisíveis – Jornal A Gazeta

ARTIGO: Mães visíveis e imprevisíveis

Como aconteceu a maternidade na sua vida? Digo, como você viveu a descoberta que iria ser mãe? Ou até mesmo quando se viu já na função da maternagem? Como foi a escolha do momento? Ou aconteceu de forma inesperada como um “grito” na escuridão? Falo de surpresa. Ou ainda, descobriu que já fazia o papel de mãe e não tinha se dado conta? Maternidade, dicionário diz que: “qualidade ou estado de mãe; estado de gravidez; gestação; relação afetiva entre mães e filhos; direito – vínculo jurídico que existe entre mãe e o filho.” Embora um conceito altamente simples, é complexo na sua estrutura e construído historicamente. O papel da mulher nem sempre foi exercido ao longo da história num devotamento da mãe aos filhos, por mais que encontremos especificidades culturais, foi se construindo a partir de perspectivas econômicas, sociais, culturais o conceito de maternidade. Somente com a modernidade, na constituição da família nuclear e valoração do infantil, surge a função da mãe cuidadora.
Trago aqui, reflexões próprias de uma mãe/mulher.Falar sobre a maternidade me traz pessoalmente um poder de conhecimento e vivência real do que seja vivê-la. Afinal, mãe de 3 filhos e há 14 anos na função, sinto-me suficientemente “boa” para discorrer durante horas sobre esta experiência e me aventuro até mesmo a “destilar” pitacos nas vivências de outras.

Porém, como que um golpe de lucidez, bem-querer e assalto ao ego soberbo, não me sinto no direito, vejam bem, no direito e muito menos no dever de sair “arrotando” como se faz a maternagem.  Por outro lado, rebelo-me com a condição sinequa nonque para uma mulher ser feliz tem que ser mãe, até porque acredito que não exista fórmula “encapsulada” para ser feliz.

Mães, mulheres, meninas ou quem quer que seja que se sente na função maternal, escutem o seu coração, usem a legitimidade que lhe confere esse espaço para se sentirem e se auto-observarem, vão para o instinto que aflora,sintam-o e o obedeçam, trabalhem a segurança interna que existe em todo ser que cuida e vive a rotina. Não vamos, aqui faço um apelo de alma, nos padronizar a partir de conceitos uniformizadores, não caiam nessa… Quando nasce um filhinho não nasce simplesmente uma mãe, mas sim uma eterna pesquisadora da arte do cuidado.
Ser MÃE vai muito além de PARIR, mas é um PARIR-SE cotidiano de sua invisível e imprevisível alma, e esta é ÚNICA.

 

MARCELA MASTRANGELO

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