ARTIGO: Quando eu morrer, como eu quero ser lembrada? – Jornal A Gazeta

ARTIGO: Quando eu morrer, como eu quero ser lembrada?

Quando eu morrer, como eu quero ser lembrada? Vocês já pararam pra se perguntar isso?

É, de fato, um questionamento altamente perspicaz e, aparentemente, traz um tom mórbido. Porém, quando vejo as pessoas tão desconectadas do imponderável da vida, da realidade mais certa (e incerta) que temos, me causa estranheza como tantos vivem como se fossem eternos, apegam-se aos bens materiais em tal medida que em vez de EU SOU, se corporifica o EU TENHO, antes de qualquer coisa.

Tá bom, eu sei o quão trivial fica uma reflexão dessas… Mas, se todos os dias nos pegássemos, em nossos afazeres ou em nossas cotidianas pregações, nos interrogando dessa máxima: “como quero ser lembrada quando morrer?”… Acredito que nos despertaríamos para um olhar diferenciado e sensível para as nossas práticas cotidianas, nossos interesses, nossas ponderações, nossas falas (o famoso: qual é o seu discurso?).

O que faço para o outro? Como reajo diante das dificuldades/problemas? Tento me conhecer para ser uma pessoa melhor a cada dia? Ou vivo no piloto automático? Tenho conversas agradáveis e edificantes? Ou meu assunto principal é a vida alheia e a desconstrução da imagem do outro?

Você deve conhecer todas as máximas até agora expostas, entretanto, quanto desses questionamentos permeiam sua autovigilância no dia a dia?

É isso mesmo… Pergunte-se: quantas vezes eu estou, de fato, visualizando a minha realidade jacente, de forma que eu enxergue a grande e única certeza da vida, o dia da finitude para o infinito? O dia de minha morte física… E como serei lembrada???

Paremos para ouvir a nossa prece/prática diária, que soa como um soneto da poesia de minha existência na terra. Ouçamos a voz profunda da consciência, com a ciência “matemática” de que nas subtrações, multiplicações, divisões, podemos utilizar a SOMA de situações e pessoas para nos aprimorarmos como seres habitantes de nossa amada Terra. E, desse modo, que possamos ser lembrados não como perfeitos, mas como seres que, nas imperfeições, se aperfeiçoaram para cantar a música mais afinada de sua breve e significativa vida.

Marcela Mastrangelo é socióloga, coach e terapeuta.

 

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