Canto dos aflitos! – Jornal A Gazeta

Canto dos aflitos!

A cada novo ano, no mês de novembro, notadamente no dia 20, surgem dos quatro cantos da nação brasileira, apelos veementes em prol da conscientização ou da Consciência Negra. A data oportuniza “N” atividades educacionais das Relações Étnico-Raciais; Cultura Africana e Afro-Brasileira.

Trazem-se à tona temas centrais envolvendo: a África e suas Raízes históricas; A expansão do Islã pela África; A África Subssariana e; Etnias da África Negra. Enfim!

Nesta temática, a avaliação que se faz, de forma óbvia, da grande África com capacidade geográfica, em extensão territorial, de caber quatro (04) continentes do tamanho do Brasil, é a de que vão ser necessários décadas e mais décadas, sem fim, de Consciência Negra, para minimizar, neste mundo à parte do Planeta Terra, os sofrimentos e as barbáries vividas em alguns países e republiquetas africanas. É uma eterna ausência de qualidade de vida, protagonizadas por guerrilhas idiotas, causando devastação, sem trégua, notadamente nas regiões do “Chifre da África”, tendo como centro do “conflito” a Etiópia e a Somália. São miríades de anos de tirania política e sincretismo religioso.

Em nível de Brasil, continuamos a bater e centrar o nosso pensamento em velhas querelas: O trabalho escravo em pleno século 21; a indiferença com a mulher e o homem negro; a desvalorização social e cultural da raça negra.

É incrível, num contexto de mundo atual que prega e discute a igualdade de raças, que haja no Brasil segmentos sociais que ainda estejam presos ao conceito, segundo as melhores enciclopédias antigas, de que a nação brasileira surge na história vítima de um processo de colonização que nutriu a tese obscura de uma hierarquia de raças na qual, índios e, especialmente os negros ocupariam as últimas posições. Infelizmente!

Sim, infelizmente, é notório e público, tem havido pouco avanço em relação a essa realidade que enxerga o negro pelo prisma do preconceito de raça.

Entretanto, o Dia Nacional da Consciência Negra, é inegável, não deixa apagar a chama dessa luta, até aqui, desigual. Afinal, existe uma ferrenha crítica social que remonta os tempos de lutas do  eterno “canto dos aflitos” encarnado na pele pelo fenomenal  Castro Alves (1847-1871)  o poeta dos escravos:

 

“Meus leões africanos, alerta!
Vela a noite… a campina é deserta.
Quando a lua esconder seu clarão
Seja o bramo da vida arrancado
No banquete da morte lançado
Junto ao corvo, seu lúgubre irmão.

 

Cai, orvalho de sangue do escravo,
Cai, orvalho, na face do algoz.
Cresce, cresce, seara vermelha,
Cresce, cresce, vingança feroz.”

 

Pode parecer clichê, mas “a luta continua” pela igualdade e pela justiça, especialmente pelo viés de políticas públicas e privadas de reparação da instabilidade entre diferentes grupos sociais. “A luta continua” em prol da “inserção” da Cultura Africana e Afro Brasileira na sociedade contemporânea.

 

Francisco Assis dos Santos*

 

*HUMANISTA. E-mail: [email protected]

 

 

 

 

 

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