Cláudio Porfiro – Jornal A Gazeta
  • Farol de Almas Brandas

    O velho pastor de almas brandas dificilmente usava batinas. Agora, pois, trajando macacão vermelho e chapéu de funil, participava, entusiasticamente, enquanto torcedor, de um acontecimento esportivo em tarde de outono. Era homem cheio de vigor e o suor lhe escorria pela testa e pelos braços...

  • Com a desenvoltura de um pato manco

    Andava talvez em círculos. Lia prosa e recitava verso. Dobrava duas ruas à esquerda, e mais uma. Olhava, depois, sorrateiramente, para as da direita, uma vez que lá viviam amigos seus de alta linhagem em almas orgulhosas de freiras virgens. Entrava na padaria e de...

  • Nervos em frangalhos e libido à flor da pele

    Um carma se apoderou da alma do aprendiz de analista. É assim desde os primeiros séculos desta era de promiscuidade e conurbação de sentimentos. Os ancestrais masculinos foram nascendo e se desenvolvendo de olhos vidrados na trilha da gatunagem e da malversação, num país onde...

  • Emylson Farias, o meu voto vai pra Xapuri!

    O Acre merece o braço forte de gente comprometida com o trabalho real e com as pessoas que por aqui residem e tanto necessitam das benesses do estado brasileiro. Devo reafirmar, em letras maiores, que concedo crédito limpo e sem sombra de dúvidas à dupla...

  • Refresca o vento sopra calma a maresia

    Em meio a uma ainda quase bêbada preguiça crucial, como sempre, transcorriam aqueles dias pós-carnavalescos. As águas de março, meio lerdas àquelas alturas, ainda não haviam feito o barraco ir ou vir a pique, até porque não existia barraco e o endereço na zona sul...

  • O livro do óbvio segundo a inominável Prima Louise

    Em verdade vos digo. Choro um olho e lacrimejo o outro. Por ela os meus sinos dobram, a poesia flui, o para-choque enrijece e os sonhos se tornam muito úmidos, ou até melados mesmo. Creio até que não é nenhum pecado esticar os olhos, e...

  • Lágrimas vadias, saudades e subterfúgios

    Em dias de solidão da alma, mórbida calma, tristeza infinda, chuva fina duradoura cai do céu sem piedade alguma, desde muitos dias. Tão bela e uma vontade louca de arrancar os próprios louros densos cabelos e enforcar-se neles, como fez a doida do hospício de...

  • O livro de Telmo Vieira e o grito dos excluídos

      Caminhamos céleres. Sobrepujamos obstáculos de toda ordem. Vivemos. Todavia, humanamente erráticos, tropeçamos feio e descuidamos no trato com os demais seres. Erguemos as vistas aos céus e nos perguntamos porque tanto frenesi e tanta arrogância. As respostas, às vezes duras, nos vêm, amanhã ou...

  • Já não se acredita em gnomos

      Fizeram dele um menino tímido, como hoje ainda é, embora todos duvidem, poucos acreditem e ninguém veja. Cumpriu itinerários rocambolescos, é certo, ao redor da Terra e por mares nunca d’antes navegados. Em viagem, depois dos dez dias fora de casa, sentia saudades da...

  • Refresca o vento sopra calma a maresia

    Em meio a uma ainda quase bêbada preguiça crucial, como sempre, transcorriam aqueles dias pós-carnavalescos. As águas de março, meio lerdas àquelas alturas, ainda não haviam feito o barraco ir ou vir a pique, até porque não existia barraco e o endereço na zona sul...