Cláudio Porfiro – Página: 2 – Jornal A Gazeta
  • Os monólogos bizarros do Senhor Candongas

    Viajei por aí durante algumas semanas e, na chegada, fui ter com os melhores amigos do mundo, no boteco tão amado e fofo. A dor do parto, na superior maioria dos casos, é equivalente à alegria do regresso. Entre muitos rapapés, saravás e brindes diversos, a lambança correu solta...

  • Em tráfego denso através das galáxias

    A vida se completa todos os dias e as experiências ditam o rumo da prosa épica, lírica e dramática que é o destino. Depois de vestir a pele do pintor espanhol das nove esposas, por longos anos, já estava mais do que na hora de...

  • A dois passos do mais doce abismo

    Estas mal traçadas linhas constituem uma crônica melíflua demais e, por assim dizer, poderia ser chamada trezentos dias sem ela. Talvez até venha a se transformar em roteiro de filme estilo água com açúcar. Nunca se sabe quantos repiquetes ainda vão passar por debaixo da ponte, afinal,...

  • Das voltas que o sol não dá

    Há forças da natureza que ditam rumos e mudam destinos. É possível dar uma topada e cair com as fuças bem debaixo das saias de uma bela rapariga, e por ela se apaixonar. É como se o jabuti colocado de pernas para o ar, de...

  • As nossas são as mais belas

    Sequer acordei e percebi que, ao meu lado, dormia a Mônica Mardelli, misto de mulher e deusa. Um deslumbre. Mais tarde, ainda em sono profundo, liguei o televisor e lá ela estava, novamente. Cá com os botões enferrujados, sigo a pensar que o meu sonho de...

  • É fogo na roupa!

    Caminhou por atalhos densos, escusos, íngremes mesmo, por pântanos a perder de vista. Passeou pela vida afora assobiando ao vento, com as mãos nos bolsos da jaqueta bem talhada, sempre coçando alguns ou muitos vinténs que nunca lhe faltaram. Depois, passou a velejar por mares...

  • Tresloucados

    Há meses, não fazia contato com a minha alma penada favorita. Parece-me que foi em julho passado a última vez em que a havia encontrado. Agora, ele está voltando de um périplo intergaláctico, cumprindo tarefas ordenadas não se sabe por quem. Importa, verdadeiramente, que a alma e as suas...

  • Lágrimas vadias, saudades e subterfúgios

    Em dias de solidão da alma, mórbida calma, tristeza infinda, chuva fina duradoura cai do céu sem piedade alguma, desde muitos dias. Tão bela e uma vontade louca de arrancar os próprios louros densos cabelos e enforcar-se neles, como fez a doida do hospício de...

  • E o Amor se escafedeu…

    Quando a última folha outonal do galho se desprendeu, um vaso grego ou chinês do armário desabou. Na lápide marmórea, a estátua monótona de um anjo torto tombou de lado. Do teto de gesso antigo, um alabastro se soltou e no chão virou mil pedaços....

  • Com a desenvoltura de um pato manco

    Andava talvez em círculos. Lia prosa e recitava verso. Dobrava duas ruas à esquerda, e mais uma. Olhava, depois, sorrateiramente, para as da direita, uma vez que lá viviam amigos seus de superior linhagem em almas orgulhosas de freiras virgens. Entrava na padaria e de...