Cidades inteligentes – Jornal A Gazeta

Cidades inteligentes

Recentemente fui escolhido como Relator da Subcomissão de Cidades Inteligentes, no âmbito da Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara. Além de mim, integram a Subcomissão os Deputados Givaldo Vieira, que a preside, Margarida Salomão e João Papa.
Segundo a união Europeia, Cidades Inteligentes são sistemas de pessoas interagindo e usando energia, materiais, serviços e financiamento para catalisar o desenvolvimento econômico e a melhoria da qualidade de vida. Esses fluxos de interação são considerados inteligentes por fazer uso estratégico de infraestrutura, serviços, informação e comunicação, com planejamento e gestão urbana, para dar resposta às necessidades sociais e econômicas da sociedade.
De acordo com o Índice Cidades em Movimento do IESE, uma escola de administração da Espanha, 10 dimensões indicam o nível de inteligência de uma cidade: governança, administração pública, planejamento urbano, tecnologia, o meio-ambiente, conexões internacionais, coesão social, capital humano e a economia.
Segundo Antônio Pires dos Santos, da IBM Portugal, a cidade inteligente é aquela que impulsiona o crescimento econômico sustentável através de uma análise integrada de informações de todas as agências da cidade e departamentos para tomar melhores decisões e antecipar problemas, resolvendo-os de forma proativa e minimizando o seu impacto, aplicando uma coordenação dos recursos existentes e dos processos para responder aos eventos de uma forma rápida e eficaz.
No Brasil, as grandes cidades dominam o topo do ranking das cidades inteligentes, com São Paulo em primeiro lugar, e confirmam a hipótese de que fazer grandes investimentos tende a ser mais fácil em municípios com mais de 500 mil habitantes, que, geralmente, concentram mais recursos.
Além de São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Vitória foram escolhidas as cidades mais inteligentes e conectadas do Brasil, segundo o ranking Cidades Inteligentes Conectadas, elaborado pela Urban Systems.
Porém, segundo a Urban Systems, há alguns municípios de pequeno e médio porte que conseguem ir contra essa tendência. Um exemplo disso é a cidade de Cajamar, na região metropolitana de São Paulo. Apesar de ter menos de 100 mil habitantes, o município é destaque em economia, com um PIB per capita alto (R$ 140 mil por habitante) e 94% de independência do setor público.
Apesar do conceito de cidades inteligentes ainda ser pouco difundido no Brasil, muitas cidades do interior já implantaram as tecnologias necessárias. Segundo a Descola, uma escola de inovação on-line, quatro cidades brasileiras que já podem ser consideradas inteligentes:
Barueri, no Estado de São Paulo, esta implantando uma nova arquitetura de distribuição de energia elétrica, que permitirá, entre muitos outros benefícios, saber em tempo real o quanto foi consumido mensalmente em cada imóvel e controlar remotamente os aparelhos eletrônicos, podendo acioná-los ou desligá-los de longe. Para a área da saúde, a cidade já implantou diversas soluções inteligentes, como o prontuário eletrônico do paciente, que é mais rápido de ser acessado e permite o seu acesso em qualquer unidade de saúde pública do município. Isso faz com que os atendimentos tenham a qualidade elevada consideravelmente, já que qualquer profissional saberá o quadro anterior, os exames realizados, internações, como o paciente foi tratado etc.
Santos, cidade no litoral de São Paulo, tem investido em inovação, tecnologia e infraestrutura, e seus esforços parecem ter dado resultado. A cidade faz uso do sistema digital SIG Santos, que mapeia a cidade e auxilia a prefeitura a tomar melhores decisões, com base nos dados captados. O programa realiza um mapeamento urbano, socioeconômico e de projetos estratégicos, associando mapas e imagens, áreas e informações, estatísticas e dados públicos. O SIGSantos é atualizado diariamente e permite que outros setores da administração se conectem de forma inteligente.
Tubarão, cidade ao sul do Estado de Santa Catarina tem a maior usina solar do país dentre as cidades com 100 mil a 500 mil habitantes, com uma potência de geração fotovoltaica de mais de 3 mil mW. Suas usinas eólicas também são destaque, com um potencial de 2,1 mil mW, segundo dados deste ano.
Vinhedo, também no Estado de São Paulo, foi uma das primeiras no país a implantar um sistema de monitoramento das entradas e saídas do município. Através das câmeras, é possível identificar a entrada/saída de veículos furtados na cidade e identificar os infratores.
O município ainda conta com um sistema de atendimento ao público, o SIM – Soluções Integradas Municipal, criado para ser uma avançada rede tecnológica de serviços à população. Caso o morador queira dar uma sugestão ou reportar algum problema, é possível fazê-lo através do sistema, que abre portas para um modelo de gestão pública mais eficiente. No SIM, é possível se cadastrar para acessar gratuitamente a internet disponibilizada pelo governo, cadastrar-se para usar as piscinas municipais, solicitar inscrições de crianças nos Centros de Educação e muitas outras funções. Tem até o SIM Empresa Fácil, que facilita o processo de abertura de empresas.
Como vemos, são muitos os exemplos e uma das missões a que nos propomos na Subcomissão será realizar uma audiência pública, na Câmara, nas primeiras semanas de julho para um amplo debate com os melhores especialistas nessa área e um levantamento mais pormenorizado dos casos de sucesso, de forma a facilitar o trabalho dos gestores públicos na direção de termos cidades que passem a usar de forma mais consciente os recursos financeiros, ambientais e tecnológicos na busca do desenvolvimento sustentável.

 

*Raimundo Angelim é professor, economista, ex-prefeito de Rio Branco e deputado federal (PT-AC)
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