Conceito Moderno de Política – Jornal A Gazeta

Conceito Moderno de Política

“No Brasil, ou sei lá mais ainda, essa premissa de alcançar e conservar o poder a qualquer preço é o que mais me entristece.”

Na Grécia clássica, o conceito grego de política buscava como esfera de realização o bem comum da cidade (POLIS). Para tanto, as pressupostos obrigatórios, em qualquer bom Estado, seriam: a virtude, a coragem, o autocontrole e a justiça. E mais: Para Platão, por exemplo, a política deveria ser permeada por um elevado senso moral. A política, para ele, é a conduta ideal do Estado, tal como a ética é a conduta ideal do indivíduo. Entendo, que, os conceitos morais defendidos por Platão são ainda necessários, nos dias de hoje, notadamente, aos que exercem a primazia de legislar os destinos dos povos,  pois que estão firmados em virtudes essenciais à conduta humana.

Emanuel Kant (1724-1804) também, a exemplo de Platão, mais tarde argumentou em favor de uma pluralidade  de princípios morais tirados  do senso do dever absoluto que a pessoa tem. Kant acreditava que havia deveres incondicionais que os homens que exercem o poder deviam cumprir, e aos quais sempre era errado desobedecer.

No entanto, o conceito de moderno de política, no dizer de Norberto BOBBIO (1909-2004) está estreitamente ligado ao poder. E poder, é poder POLÍTICO, diria Maquiavel.  O julgamento de BOBBIO adquire forças no pensamento de cientistas políticos da atualidade. Segundo os quais, a política é o processo de formação, distribuição e exercício do poder. Exerce o poder que tem poder, principalmente  de manipular, cooptar, com domínio de barganha ou transação fraudulenta.

No Brasil, ou sei lá mais ainda, essa premissa de alcançar e conservar o poder a qualquer preço é o que mais me entristece no atual momento político brasileiro. Se, quem estiver no poder, não der o Ministério a determinado partido, ele não apóia. O outro, do mesmo modo, não apóia. Assim, fica uma coligação de partidos fundada em interesses pessoais. A propósito dessa distribuição de “poderes” a partidos coligados, cai bem a assertiva do pensador George Bernard Shaw, perito em afirmações controvérsias: “a democracia muitas vezes significa o poder nas  mãos de uma  maioria incompetente”.

Fica claríssimo,  que a política moderna em vigência está na contramão da ética. Parece que a classe política (ou seria categoria?) reza pelo mesmo manual de tirania que ensina a fazer tudo o que for necessário, independentemente de valores morais, para alcançar e conservar o poder, concebido como um fim em si mesmo.

O que fazer ou pensar sobre esse momento? Essa situação? Creio que devo manifestar as minhas esperanças de que esse ou este momento, que passa a nação brasileira, tenha solução, ao menos plausível, e que os nossos “problemas” sejam resolvidos, através do perene exercício do voto, nestas e nas próximas eleições!

Para tanto, apesar dos pesares, mesmo num país dominado por um sistema econômico perverso, na condição de cidadão, PRECISO continuar sonhando por melhores dias. Sonhar, ainda que seja uma “doce ilusão”, em ver mais probidade por parte dos congressistas, na condução dos destinos do País. Sonhar, ao mesmo tempo, para  que o descaso público que  se revela na “postura” de alguns senhores parlamentares,  não se repitam nas entranhas do PODER constituído e, em especial  no Congresso Nacional. Mas, e só sonho!

* Francisco Assis dos Santos é humanista. E-mail: assisprof@yahoo.com.br

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