Conflitos agrários, um problema de todos – Jornal A Gazeta

Conflitos agrários, um problema de todos

O episódio ocorrido esta semana na Aleac em que produtores rurais fecharam a porta de acesso principal ao prédio deve ser considerado como um ato de desespero por quem já está cansado de tantas promessas e poucas soluções. O fato evidenciou a necessidade urgente da contratação de pessoal pelo parlamento acreano e o grave conflito agrário existente no Acre, até pior de que na época da chegada dos paulistas ao Acre, mas que é tratado em silêncio pelas autoridades responsáveis pela causa.

É bem verdade que os deputados estaduais pouco ou nada podem fazer. A matéria é de âmbito federal e deve ser tratada pela bancada federal, para isso temos 3 senadores e 8 deputados federais. Creio que essas questões poderiam ser tratadas com uma reunião entre os parlamentares federais e representantes do Incra para mediarem em Brasília uma solução.

Quase toda semana produtores rurais buscam a Casa do Povo para intermediar um diálogo com o Incra. A demanda é latente. Os rostos são de senhores e senhoras cansados, moídos pelo tempo. Não é fácil criar os filhos em beira de estrada e debaixo de lonas. Uma coisa é defender o direito de propriedade, outra é ser omisso diante de um fato. Apesar de não ser um conhecedor profundo do Direito, mas penso que acima do direito à propriedade, estar o direito à vida, a dignidade humana. Que dignidade humana essas pessoas tem vivendo ao relento?

Por outro lado, sei que existem espertalhões infiltrados dentro dos movimentos, mas esses precisam ser denunciados pelos verdadeiros produtores que desejam a aquisição de um pedaço de chão.

Outro ponto, não é segredo para ninguém que a maioria dos latifúndios do Acre e do país são provenientes de projetos de Reforma Agrária. Conheço isso de experiência de perto. O assentado ganha o lote, não é lhe dado a devida assistência técnica, ele acaba vendendo a propriedade a preço bem abaixo do custo real e migram para a periferia das cidades e continuam o processo de invasão. Pesquise junto às invasões urbanas que a maioria tem suas origens na zona rural.

Mas voltando, a Aleac, não sou de bajular. Não preciso disso. Mas a presidência do deputado Élson Santiago é destacável. As portas do parlamento têm sido abertas verdadeiramente ao povo. Talvez por isso tenha ocorrido o episódio da última quarta-feira, 7. Como dizem: liberdade tem limites. Mas, o ponto central é que a Casa tem recebido demandas que não são de sua competência. Alguém está em débito com os produtores rurais sem terras.

* JOSÉ PINHEIRO é  jornalista.
E-mail: jsp30acre@gmail.com

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