É fácil apontar culpados – Jornal A Gazeta

É fácil apontar culpados

Não entendo o alarde da chegada de imigrantes haitianos no Estado de São Paulo. Eles estavam no Acre há quase 4 anos e o Brasil virou às costas para eles e para nós acreanos quanto a essa questão. Indo contrário ao governo acreano, o Ministério da Justiça concedeu mais vistos para que novos imigrantes cruzassem a fronteira.

Lembro-me que entrevistei o secretário de Direitos Humanos, Nílson Mourão, e ele mostrava-se preocupado com a chegada de tantas pessoas ao Estado, que já não era capaz de suportar o grande número de estrangeiros. Dias antes da vinda do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ao Acre, Mourão sugeriu, temporariamente, o fechamento da fronteira e colocou a situação quando esteve, em Brasília, a diversos ministérios. Acontece que sua voz foi ignorada pelo Governo Federal.

Voltando ao ministro José Eduardo Cardozo, ele afirmou em coletiva, no Acre, que manteria a fronteira aberta e que os haitianos eram essenciais para o desenvolvimento do país. Ou seja, o Brasil precisaria dessa mão-de-obra. Entretanto, nada prático foi feito para ajudar o Governo do Acre no sentido de reduzir o contingente de imigrantes que aqui chegava. A situação se agravou com a cheia do Madeira, o abrigo em Brasiléia era desumano. Condições mínimas, mesmo assim, o governo local fez o que pôde. Acredito até que o governador Tião Viana (PT) demorou em decidir pelo fechamento do abrigo. Brasiléia não é o destino final deles, os haitianos querem emprego e o Acre ainda não tem capacidade para absorver essa mão-de-obra. Nada mais justo que enviá-los para o seu destino final.

Nessa questão toda, o que se percebe é que o Governo Federal pecou por omissão. Entrada de imigrantes é matéria tratada a nível federal e não por secretarias de Estado. São os ministérios da Justiça e das Relações Exteriores que organizam a papelada para que eles estejam regularizados no país.

Quanto à questão do governo de São Paulo não ter sido avisado, não vou tirar a preocupação do governo paulista. O governo acreano pode ter pecado nesse quesito. Mas volto a insistir, o Ministério da Justiça e das Relações Exteriores tinham o conhecimento do envio, até porque foram em aviões da Força Aérea (FAB). Cadê a política de imigração desenvolvida pelo Ministério das Relações Exteriores? Não existe? Apontar culpados e acusar estados menores de enviar estrangeiros sem aviso prévio não vai resolver o problema dos nossos irmãos haitianos.

Acredito, também, que o Acre não enviou pessoas ilegais para São Paulo. Certamente eles já saíram daqui prontos a ficarem no país. Nessa questão toda, só uma coisa me preocupa e sempre me preocupou; que os imigrantes não se tornem mão-de-obra barata para nós brasileiros. O Ministério do Trabalho tem que estar atento a essa realidade. Fiscalizar de perto.

* JOSÉ PINHEIRO é jornalista.
E-mail: [email protected]

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