Edificar uma Fé somente sobre categorias humanas – Jornal A Gazeta

Edificar uma Fé somente sobre categorias humanas

Irmãos e irmãs, leitores do Jornal A GAZETA, Paz e Bem! Neste artigo, gostaria de refletir com vocês, sobre a urgência de ajudar nossos irmãos e irmãs, a atingirem maturidade na Fé, capaz de pastorear todos os aspectos de suas vidas. Pois, uma fé que não toca a vida, trazendo a conversão da vontade, da inteligência e do coração, será incapaz de formar discípulos e missionários para o Senhor, levando muitas vezes a uma compreensão parcial do mistério da Igreja e de sua missão; com isso a Igreja fica uma “ilustre desconhecida”.

No Evangelho de Mateus 16,13-19, Jesus dirige a seus discípulos, que convivem com ele algum tempo, uma pergunta fundamental, para entender o mistério de sua pessoa: “Quem dizem os homens ser o filho do homem?” Neste momento, o Senhor busca conhecer a opinião pública sobre sua pessoa. Não há uma uniformidade na resposta! Para uns: é João Batista; outros é Elias; para outros é Jeremias, ou algum outro profeta. Vemos aqui, que os discípulos da primeira hora, são bombardeados por diversas informações subjetivas, pois a pessoa enxerga de onde seu pé está fincado ou segundo seu mapa ideológico-espiritual. Às vezes, daí é formada visões distorcidas e imperfeitas da realidade. Surgem cristologias diversas, que podem negar aspectos importantes da fé apostólica produzindo grandes conflitos para a comunhão eclesial.

Quando olhamos o mundo da catequese, a práxis dos nossos irmãos irmãs, nos deparamos com uma grande confusão entre o “Deposito Fidei Apostólico” e a “Fé-Vivida e ensinada”; que nasce das compreensões subjetivas de grupos e pessoas: muitas vezes nascida da ignorância, da maledicência de interesses múltiplos e às vezes até querendo acertar. Num contexto de interpretações míopes, os discípulos da primeira hora, não conseguem aprofundar a verdadeira identidade de Jesus, “o poderoso profeta de Israel”.

Os discípulos não conseguem ultrapassar uma visão meramente humana sobre o “Nazareno”. Eles vêm o seguimento como: “uma carreira promissora”, para adquirir posses, poder, fama, ser uma força social para contrapor ao sistema organizado; ser uma ONG filantrópica para acabar com as misérias do mundo. A nossa visão míope do mistério de Jesus vai condicionar nossa cristologia e nossa eclesiologia, com isso a práxis de cada seguidor. Que confia mais em suas capacidades humanas, e não conseguem “expulsar os demônios cotidianos”, devido à fraqueza espiritual.

Temos muitos documentos belos: muitos planos e projetos magistralmente elaborados; muitos cursos e encontros, mas não conseguimos nutrir a vida espiritual dos evangelizadores “e o povo se perde por falta conhecimento de sabedoria divina”.

Seguindo sua enquete, Jesus agora, dirige a pergunta ao grupo apostólico: “E vocês, quem dizeis que eu sou”? Neste momento, a pergunta é mais séria, pois não interessa a Ele, o que os outros diziam, mas o que o grupo apostólico descobriu vivendo com Ele, mais intimamente: ouvindo e vendo seu comportamento diário.

Só conhecemos uma pessoa, em profundidade quando convivemos com ela. A pergunta agora é direcionada, não aos que observam de fora, mas aos que convivem e são companheiros, são íntimos! Não importa, agora, o que “ouviram falar”: mas o que viram e ouviram, experimentaram: daí nasce o discípulo-missionário. Somente as testemunhas são capazes de revelar, não os doutores meramente informados.

As diversas técnicas pastorais, os títulos acadêmicos, os pastoralistas capacitados, se não são testemunhas, não conseguem Evangelizar, nem  conseguem realizar ações pastorais, que tocam temporariamente a cabeça, mas se não chega ao coração, iluminando a alma que convence a vontade abre a inteligência, e eleva o espirito ao mistério sempre novo, faz conhecer e não seguir.

Então, Pedro tomando a palavra, disse: “Tu és o Messias, o Filho de Deus Vivo!” Jesus lhe disse: “Tu és feliz Pedro, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu.” Esse elogio, dá uma nova identidade e uma nova missão a Simão Pedro! Todo Encontro Revelador, com o Cristo de Deus, dá nova identidade e missão, ao homem e a mulher, que foi alcançado por essa “suprema Ciência”, não apreendida, necessariamente, nos bancos das faculdades teológicas, ou nos programas formativos e catequéticos, meramente acadêmicos.

Muitas vezes, encontrei operários da messe do Senhor sem nenhuma experiência de vida espiritual profunda: sem vida de oração, sem intimidade com Palavra, sem gosto pela Santa Missa aos domingos, às vezes nem creem em algumas das verdades de nossa fé. Mas tem “conhecimento” adquirido em nossos cursos; o que me faz recordar dessa passagem de Mateus 8,28-34 (Mc 5,1-20; Lc 8.26-39) Jesus entra no território dos Gadarenos e dois endemoniados começaram a gritar: “Filho de Deus! Que tens a ver conosco?” Aqui, a profissão da certeza, é feita por quem conhece! Não é profissão de fé, mas é ato de ciência, de certeza do endomoniado que conhece; mas não concorda, nem acolhe o Plano de Amor do Criador.

Precisamos aprender a conjugar estudo e vida espiritual, teologia e devoção, conhecimento bíblico e busca de santidade, pastoral e testemunho.

A Igreja não é uma ONG, nem uma instituição de assistência social, não é partido politico, não é uma obra de assistência religiosa, nem menos uma mera força social. Ela é Mistério! É Mãe! É Memória! É Sacramento de Salvação. É a congregação de homens e mulheres, encontrados e enviados, pelo Pai para serem suas testemunhas; incendiando o mundo com seu Espirito. É um Corpo Vivo, que vai progredindo sua consciência de ser Tabernáculo do Senhor; sustentáculo da Verdade! Hospital de campanha, que cura os caídos pelos pecados, casa de oração, assembleia de testemunhas. Paz e bem!

                                                             Frei Paulo Roberto Gomes

Frei Paulo Roberto Gomes é da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos – OFM Cap.

Pároco da Paróquia de Bom Jesus do Abunã em Plácido de Castro – Acre.

Assistente Espiritual do Núcleo em Formação da Fraternidade da Ordem Franciscana Secular – OFS, que se reúnem todo 3º Domingo do mês na Paróquia Santa Inês às 07:00 horas.

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