Elegância no falar e no escrever – Jornal A Gazeta

Elegância no falar e no escrever

No dia-a-dia de nossas atividades estudantis, profissionais ou de lazer, nos discursos, na correspondência, ou mesmo no bate-papo entre amigos, qual de nós não cometeu algumas impropriedades de linguagem? O tempo passa e, se não exercitarmos o que estudamos e aprendemos, certamente alguma coisa vai escapar. E vai daí que… Pensando nisso tudo, apresentamos uma série de formas próprias e impróprias de nos expressar, evitando, assim, ‘gafes’ desnecessárias. Na coluna da esquerda, apresentamos as formas impróprias, ou seja, incorretas; à direita, estão as formas próprias, ou corretas.

IMPRÓPRIAS PRÓPRIAS
A defesa entrou com recurso A defesa interpôs recurso
Aposentados recebem vencimentos Aposentados recebem proventos
As injeções já foram aplicadas As injeções já foram feitas
As sentenças são anunciadas As sentenças são prolatadas ou proferidas
Caiu dentro da piscina Caiu na piscina
Chefes dos Executivos recebem vencimentos e ajuda de custo Chefes dos Executivos recebem subsídios e ajuda de representação
Despachos de juízes são assinados Despachos de juízes são exarados
Despesa é limitada Despesa é fixada
Ele está atendendo a telefonema dela Ele está atendendo ao telefonema dela
Empregados regidos pela CLT recebem ordenados Empregados regidos pela CLT recebem salários
Escreventes da Justiça são funcionários Escreventes da Justiça são serventuários
Estive na divisa do Brasil com a Bolívia Estive na fronteira do Brasil com a Bolívia
Exonerações são decretadas Exonerações são concedidas
Falou no telefone Falou ao telefone
‘Habeas corpus’ são requeridos ‘Habeas corpus’ são impetrados
Impetra-se mandato de segurança Impetra-se mandado de segurança
Juiz dá parecer ou opinião Juiz vota, dá sentença ou julga
Juiz expede mandato de busca e apreensão Juiz expede mandado de busca e apreensão
Ministério é ‘staff’ governamental Ministério é Secretaria de Estado
O carro chocou-se contra o poste O carro chocou-se com o poste
O custo do processo é muito elevado As custas do processo são elevadas
O guarda extraiu a multa O guarda aplicou a multa
O legista fez a autópsia no cadáver O legista fez a necropsia no cadáver
O Presidente pôs veto na lei O Presidente opôs veto à lei
O que é bom para a gripe? O que é bom contra a gripe?
Os promotores promovem libelos Os promotores proferem libelos
Parlamentares exercem representação Parlamentares exercem mandatos
Parlamentares recebem vencimentos Parlamentares recebem subsídios
Prisões preventivas são expedidas Prisões preventivas são decretadas
– Quem é? É fulana? – É ela mesma! – Quem é? É fulana? – Sim, sou eu!
Quero falar consigo Quero falar com você (ou com o senhor)
Questões de ordem no Parlamento são requeridas Questões de ordem no Parlamento são levantadas
Receita é calculada Receita é estimada
Recorre-se da decisão do juiz Apela-se da decisão do juiz
Recursos são requeridos Recursos são interpostos
Temos várias alternativas Temos alternativas
(opção entre duas coisas)
Tirou a criança para fora do buraco Tirou a criança do buraco
Venci na vida às minhas custas Venci na vida à minha custa
Viúvas e herdeiros recebem proventos Viúvas e herdeiros recebem pensões

 

Conclui-se o texto dizendo ser importante o bom uso da linguagem, em qualquer situação da vida, pois a linguagem é como espelho, ferramenta, lugar. Deverá o leitor ficar atento para evitar situações embaraçosas,  sobre o que dizer ou não dizer em conversas, relacionamentos pessoais,  apresentações, discursos, textos escritos. Na vida, a linguagem traduz cada pessoa, sua forma de ser, agir, pensar. È uma arma com a qual a pessoa poderá ganhar ou perder. Portanto, todo cuidado será pouco.

DICAS DE GRAMÁTICA

ONDE ou AONDE e DONDE, quando usar uma forma e outra?

– Use ONDE nos casos que não admitem uma substituição por PARA ONDE, como as situações estáticas:

“Onde moras?”

“O lugar onde vives é muito bonito.”

“Onde colocaste o Domínio?”

– Use AONDE nos casos que admitem uma substituição por PARA ONDE, como nas situações dinâmicas, onde aparecem verbos de movimento:

“Aonde vamos?” (“Para onde vamos?”)

“Aonde te diriges?” (“Para onde te diriges?”)

– Use DONDE para indicar procedência, causa ou conclusão.

Exemplos:

“Donde vens? E donde esta cara triste?”

“Ele nunca adoece, donde se conclui que tem boa saúde.”

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Luísa Galvão Lessa – Pós- Doutora em Lexicologia e Lexicografia pela Université de Montreal, Canadá; Doutora em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro; membro da Academia Brasileira de Filologia; Presidente da Academia Acreana de Letras.

 

 

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