Elogio aos maduros – Jornal A Gazeta

Elogio aos maduros

Os muito verdes que me perdoem. Mas homem maduro é fundamental.

Para ser vivido, não basta ter idade. É necessária uma percepção mais sofisticada da vida, o que só decorre da experiência.

Que belas histórias de sabedoria podem narrar cabelos grisalhos. Quanta tarimba tantas vezes se assenta entre as marcas físicas da existência. E que insuperável é o humor dos que já aprenderam a ser responsáveis, mas também sabem que nada é tão sério assim.

Evidentemente, entre os que caminharam mais, há os tolos, que os obtusos também envelhecem. Esses são uma lástima, apenas se embrenham em futilidades intermináveis. E há os secos. Que se repetem em mesquinhez e não fazem mais do que dilapidar o estoque dos seus dias.

Pesadelo de muitos, o grande trunfo da fase madura é exatamente ter mais próxima a perspectiva da morte. Excelente conselheira, essa baliza recomenda evitar frivolidades e investimentos que não tragam gratificações significativas. Se o tempo é precioso, a vida é urgente.

Por isso, no homem maduro a vaidade de macho falastrão vai sendo vencida. Compreendida a pertinência de ser mais humilde, já que nossas horas são contadas, esse indivíduo naturalmente passa a trajar a dignidade. E em si despertam, cada vez mais intensas, as joias da solidariedade, do respeito e do companheirismo.

Seus vínculos afetivos se aprofundam, porque ele já verificou que, de tudo, o que resta é a qualidade do encontro. Assim, mesmo com o declínio da vitalidade, o saldo de satisfação é positivo.

No homem maduro, a alma está presente. E, para além do corpo, a alma erotizasobretudo em direção ao que não se pode ver, mas se pode sentir.

Onides Bonaccorsi Queiroz

Assuntos desta notícia