Embolia pulmonar – Jornal A Gazeta

Embolia pulmonar

A embolia pulmonar é a obstrução súbita de uma artéria pulmonar, geralmente devido a um coágulo sanguíneo que se deslocou de uma  veia da perna para o pulmão. Denomina-se êmbolo um coágulo que se forma em uma parte do corpo e viaja pela corrente sangüínea até outra parte.

A trombose é o surgimento de um trombo (coágulo de sangue) nas veias. As partes do corpo em que mais comumente ocorrem são: as pernas, coxas ou quadris. Quando este trombo se desprende, vai para a circulação e acaba fechando uma artéria do pulmão, podendo ou não causar problemas.

Se o coágulo for pequeno, pode nem causar sintomas, mas se for maior, poderá causar dano pulmonar ou, em alguns casos a morte imediata. Algumas situações colaboram para o aparecimento desta doença, quais sejam: fraturas ósseas com imobilização prolongada do paciente, pessoas que passam muito tempo acamadas sem atividade física, pacientes com câncer, uso de anticoncepcionais com estró-geno, obesidade, cirurgias, tabagismo e varizes.

CAUSAS  – De acordo com o Manual Merck, o tipo de êmbolo mais freqüente é um trombo que se formou habitualmente numa veia da perna ou da pélvis.

 Os coágulos tendem a formar-se quando o sangue circula lentamente ou não circula de todo e correm comumente nas veias das pernas. É menos freqüente que os coágulos comecem nas veias dos braços ou no lado direito do coração. No entanto, uma vez que o coágulo formado numa veia se liberta e passa para a corrente sanguínea, é habitual que viaje para os pulmões.

CONSEQÜÊNCIAS – A obstrução das artérias pulmonares pode causar uma insuficiência aguda do funcionamento dos pulmões (insuficiência respiratória aguda).

Conforme os autores consultados o lado direito do coração que bombeia o sangue para a circulação dos pulmões, pode entrar em fa-lência (cor pulmonale agudo). A obstrução de uma artéria do pulmão pode fazer que parte do tecido do pulmão morra (necrose), pela falta de irrigação (infarto pulmonar).
No caso das embolias maciças, que afetam grande parte da circulação do pulmão, o paciente pode apresentar um quadro de choque, com queda da pressão arterial e irrigação inadequada do cérebro e demais órgãos do corpo.

Alguns pacientes, porém podem desenvolver quadros repetitivos de pequenas embolias na circulação do pulmão (embolia pulmonar recorrente). Esta situação acarreta um aumento progressivo da pressão arterial na circulação pulmonar (hipertensão pulmonar), manifestando-se com sintomas de dispnéia (falta de ar) crônica.

SINTOMAS – O principal sintoma é a falta de ar que ocorre de forma súbita, geralmente acompanhada de tosse, sem que haja explicação. A esse respeito Cyrillo (2010) exemplifica com o caso do indivíduo que se submeteu a uma cirurgia de apendicite e dez dias depois, tomando café em casa, cai morto. O autor acrescenta: vão achar que foi infarto, mas não foi, foi sim, a embolia pulmonar.

Em alguns casos, os únicos sinais e sintomas são aqueles relacionados à trombose venosa profunda, os quais incluem: inchaço da perna ou ao longo da veia na perna, dor ou sensibilidade na perna, sensação de calor na área da perna com inchaço ou sensibilidade, e pele vermelha ou descolorada na perna afetada.

Também é possível ter embolia pulmonar sem apresentar nenhum sinal ou sintoma.

TRATAMENTO – O tratamento para embolia pulmonar segundo os especialistas da área pode envolver a terapia trombolítica com drogas que dissolvam o coágulo (anticoagulantes) ou cirurgia (em-boléctomia pulmonar). Contudo, pacientes que usam anticoagulantes devem evitar certos medicamentos que interferem com a sua ação. 

Os alimentos ricos em vitamina K devem ser ingeridos de uma forma balanceada, pois grandes variações dessa substância nos alimentos, quando consumidos de forma desordenada, também podem afetar a ação dos anticoagulantes.

Os alimentos ricos em vitamina K são: chá preto, nescafé, chocolate; mamão, uva, passas, melão, banana, laranja, ameixa, coco; tomate, brócolis, couve, couve-flor, cenoura, beterraba, moranga; feijão, lentilha, ervilha seca; batata inglesa, batata doce, mandioca, milho; salsicha, fígado, presunto.

PREVENÇÃO – A prevenção da trombose venosa das veias profundas das pernas, a principal causa de embolia pulmonar se constitui no elemento chave na prevenção do tromboembolismo pulmonar. Dentre outros, os procedimentos igualmente fundamentais para a prevenção da embolia pulmonar são: a movimentação precoce dos pacientes no pós-operatório e pós-parto, a mobilização das pernas em pacientes acamados, o uso de meias elásticas e da compressão pneumática das pernas (através de um equipamento que comprime a musculatura da panturrilha).

ATENÇÃO – Diante dos sintomas da trombose Cyrillo (2010) recomenda procurar o médico imediatamente para fazer um diagnóstico precoce e evitar a embolia pulmonar, pois muitas vezes, o inchaço na perna é atribuído a uma distensão muscular, tendinite ou a uma batida e isso mascara o quadro. Nesses casos, infelizmente, quando a súbita falta de ar se manifesta, pode ser tarde demais.

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Professora do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto – Ufac. Coor-denadora Operacional do Mes-trado e Doutorado Interins-titucional em Saúde Pública da Universidade de São Paulo – USP/Ufac.

 

 

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