“Estive pensando!” – Jornal A Gazeta

“Estive pensando!”

Francisco Assis dos Santos*

Estive pensando, que preciso pensar, já que, no dizer de Nietzsche (1844-1900) pensar é um ato de altíssima intensidade emocional. “eu ainda vivo, ainda penso; ainda tenho de viver, pois ainda preciso pensar”, dizia ele.

Pensar revela a própria essência do ser humano: O homem é, sobretudo, diz Santo Agostinho (354-430 d.C.),  um ser pensante. O pensamento faz a grandeza do homem, secundava o Bispo de Hipona.

Na mesma trilha, Pascal (1623-1662) dizia que homem não passa de um caniço, o mais fraco da natureza, mas é caniço pensante, e enfatizava: “Posso conceber um homem sem mãos e pés, mas não posso conceber o homem sem pensamento”.

Estive pensando, que preciso pensar no presente momento da vida brasileira, notadamente da vida política partidária em que pontifica o grotesco, a mediocridade de pensamento e, a ausência de homens e mulheres com perfil de estadistas. Diga-se a propósito, classe política, onde se revela na essência aquela máxima de que o homem é um ser radicalmente corrompido, governado pela concupiscência, desejos e apetites da carne. Em outras palavras: vaidade que tudo corrompe, em tudo penetra e a tudo reduz a um irremediável domínio das paixões viciosas.

Estive pensando na educação vigente, em todos os níveis, e o que se constata não é salutar. Continuamos enquadrados na antiga assertiva de Anísio Teixeira (1900-1971): ”Jamais fizemos da educação o serviço fundamental da república”. Anísio Teixeira, aquele que dá nome ao INEP/MEC, diz ainda, que a “Democracia é, literalmente, educação.” E mais: “Há, entre os dois termos, uma relação de causa e efeito. Numa democracia, pois, nenhuma obra supera a da educação. Haverá, talvez, outras aparentemente mais urgentes ou imediatas, mas estas mesmas pressupõem, se estivermos numa democracia, a educação. Com efeito, todas as demais funções do Estado democrático pressupõem a educação. Somente esta não é a conseqüência da democracia, mas a sua base, o seu fundamento, a condição mesma para a sua existência.” Conclui, o  jurista,educador e escritor!

Estive pensando, na atual ética digital. Em como “conciliar os valores de uma jovem cibercultura a uma sociedade conservadora e ainda analógica”?

Estive pensando nas nossas cidades que refletem, sobremodo, de forma aguda a situação socioeconômica que caracteriza tão fortemente o nosso século. Não apenas por causa das visíveis e gritantes contradições entre cidades que revelam a sofisticação e os parâmetros de Primeiro Mundo com seus abundantes recursos e exacerbado custo de vida. Em contraste com as nossas cidades, principalmente o Rio de Janeiro, de qualidade de vida própria de países do Terceiro Mundo, que não conseguem esconder os seus pobres, porque são muitos ou quase todos, e a dor e a fome que os impelem para as ruas no desesperado desejo de saciá-la.

Estive pensando, quem de fato sou eu? Qual é a minha? Pois, ao que parece, diante das agruras humanas, já não sei mais qual é o meu verdadeiro papel no cenário geral da existência humana. O que devo fazer e o que dizer, neste hospício, nesta torre de babel onde cada um monta um teatro à parte. Qual é a minha e qual é a da raça humana? O que estamos nós aqui fazendo nesta terra?

Estive pensando, principalmente porque o pensamento faz a grandeza do homem e, não há limites para os pensamentos.

 

HUMANISTA. E-mail: assisprof@yahoo.com.br

 

 

 

 

 

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