Êxodo da Fome – Jornal A Gazeta

Êxodo da Fome

“A vida, é inegável, se tornou dolorosa e trágica! Por exemplo, essa situação dos nossos irmãos venezuelanos, que migram para países adjacentes, num verdadeiro êxodo da fome.”

 

Como é possível que o homem que nasce bom e livre, apesar da Bíblia dizer que o homem é mau por natureza, chegue a um estado de barbárie que ora presenciamos? Rousseau (1712-1778) diria que essa maldade ou  ruína adveio com a sociedade que, em sua pretensa organização, não só permitiu, mas infligiu à servidão, a escravidão, a tirania e inúmeras leis que privilegiam uma classe dominante em detrimento da grande maioria, instaurando a desigualdade em todos os segmentos da sociedade humana.

A vida, é inegável, se tornou, para muitos, dolorosa e trágica!  Por exemplo, essa situação dos nossos irmãos venezuelanos, que migram para países adjacentes, num verdadeiro êxodo da fome.  O que eles buscam? No primeiro momento, pão para sobreviverem! Mas, também, eles estão atrás de conhecimento, de ajuda e de esperança. Uma vez que, a pobreza não consiste somente na necessidade ou falta de recursos. Afinal, além da pobreza literal da falta de alimentos, eles fogem da angústia da opressão dum sistema governamental arcaico e opressor. Portanto, carecem de uma vida harmônica e equilibrada

Aliás, falando de pobreza: Alguns dizem que a pobreza não é uma etapa casual, mas produto de determinadas situações e estruturas econômicas, sociais e políticas. Expertises definem a pobreza como a necessidade crônica dos elementos básicos para sobreviver. Outros a definem como a desigualdade entre os que podem adquirir certos bens de consumo e os que não podem. Creio que é necessário conhecer os pobres e os fatos da pobreza. Quem são os pobres? Em alguns contextos prefere-se falar de “povo” em vez de pobres,  pois o primeiro termo aponta a massa popular, ou como diziam os antigos: os súditos e o proletariado.  Por que são pobres? É necessário refletir em torno dos fatos da pobreza. O começo da conduta moral é o esforço por pensar claramente (Pascal). A reflexão e a práxis caminham juntas: se uma é sacrificada, a outra também sofre (Freire).

Deve-se considerar o contexto cultural, já que o desenvolvimento das pessoas afeta sua cultura. Há alheamentos culturais, percebidos pelo mais simples cidadão, ante as diferenças entre a sua própria realidade de pobreza iminente e a descrição de uma realidade de êxito projetada e sancionada pelos meios de comunicação.

Bem a propósito, foi a declaração sr. José Graziano da Silva, diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) ao afirmar que o “desemprego” pode colocar o Brasil no Mapa da Fome! A assertiva, mesmo trazendo claramente “conotação” política partidária, é pertinente e oportuna, pois é preciso detectar quem é quem na questão da pobreza no Brasil. Afinal o Brasil não é a África com as suas mazelas.

Contudo, na minha ótica estrábica, muito além do “desemprego” as desigualdades sociais, notadamente regionais,  já dizia, nos anos 50, Celso Furtado (1920-2004) são a causa da fome e da miséria, que assolam os quatro cantos da nossa nação

Alguém pode dizer que essa “desigualdade esmagadora” é a realidade da história da humanidade, com tendência  a se perpetuar,  pois que chegou até aqui debaixo de grande dilema, o dilema do paradoxo humano,  sem solução terrena, da convivência dos dominadores, ricos e poderosos, com os dominados, pobres e miseráveis, e das diferenças entre países de primeiro mundo com países emergentes do terceiro mundo.

Assuntos desta notícia