Falsa neblina – Jornal A Gazeta

Falsa neblina

Cof, cof, cof! Desculpem, é que por aqui há muita fumaça. Minha garganta arranha o tempo inteiro e os olhos ardem também. Além de mim, muitos outros colegas já sentem os efeitos das intensas queimadas nesse período do ano.

Um conhecido chegou até a brincar sobre a fumaça que cobre Rio Branco nesta semana: “Que dia nublado lindo”. A ironia se deve ao fato de nós, acreanos, não podermos mais enxergar o céu azul. O cinza lá de cima não chega nem perto de ser neblina. Trata-se de algo muito mais nocivo à saúde.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, essa fumaça tem origem na Bolívia, estados vizinhos e no próprio Acre. O mês de agosto já é quente, e essas práticas acabam intensificando ainda mais o calor.

É lamentável que alguns ainda relutem em não colaborar para que esse período seja o mais suportável possível. Grandes terrenos continuam sendo queimados para virar pasto, entre outras formas de utilizar o pedaço de chão. É cultural. Porém, esse pensamento precisa mudar.

Sei claramente que a culpa de tudo isso não é do morador, que tem um pequeno terreno urbano. Ainda assim, qualquer queima agora vai piorar a situação, inclusive para a própria família dele.

No último domingo, fui visitar o meu pai, que mora em um ramal na zona rural da Capital. A vizinha dele estava ‘tacando’ fogo em galhos, pedaços de madeira, folhas e lixo. Crianças brincavam ao redor das chamas e toda a fumaça ia invadindo as residências ao redor, inclusive a da minha família.

Acredito que na falta de saber o que fazer com todo aquele lixo, ela resolveu dar fim ao material ali mesmo em casa. A mulher aparentava total desconhecimento do mal que estava causando aos filhos e a ela própria.

Ao retornar para a minha casa, eu e meu esposo fomos surpreendidos pela forma que se encontrava a varanda e a calçada. Não se via mais o azulejo claro. Havia uma camada fina de fuligens cobrindo o chão como um rio negro. Meu irmão perguntou o que era aquilo. Eu respondi: “Um pedacinho do que está por vir”.

Não é tarde para pedir conscientização sobre as nossas atitudes. Não é porque ninguém está vendo que podemos correr para fazer queimadas.

Setembro está chegando e estou realmente preocupada com esse futuro próximo. Afinal, quantas pessoas a mais precisam adoecer na nossa família para percebermos o mal que estamos causando?

* Brenna Amâncio é jornalista.
E-mail: brenna.amancio@gmail.com

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