Função humanizadora da Filosofia – Jornal A Gazeta

Função humanizadora da Filosofia

Uma das tarefas básicas da Filosofia, enquanto ciência universal, além de nos ensinar a pensar, é a sua função humanizadora em ajudar o homem a se encontrar consigo mesmo através das respostas às questões fundamentais que o afligem, orientando-o na busca da verdade e na descoberta dos valores que dão sentido à sua vida. Sabe-se, entretanto, que “alguns” consideram as idéias oriundas do pensamento filosófico, como idéias perigosas.

Os professores Cipriano Carlos Luckesi e Elizete Silva Passos, em seu livro Introdução à Filosofia, asseveram que uma atitude paradoxal em relação à filosofia é a que assumem, aqui e acolá, os poderes constituídos. Entendem que a filosofia é uma forma de saber que é perigosa nas mãos dos cidadãos e, por isso deve ser abolida.

Possivelmente, porque a aguça a nossa mente a lembrar e pensar: na injustiça social e na tirania política; na maldade e cinismo dos vendedores de drogas e; dos produtores de pornografia, que fazem fortuna explorando a fraqueza das pessoas e à custa da ruína delas.

A Filosofia, humanizadora, abre nossos olhos para a realidade trágica das mazelas humanas: os desmatamentos criminosos da Amazônia, notadamente a Ocidental. Os pobres; os famintos, os desabrigados e favelados que “vivem debaixo de viadutos, pendurados em encostas, palafitas ou invadindo áreas públicas e privadas”.

Faz-nos pensar nos meninos de rua abandonados pelos pais, nas crianças que não nasceram ainda, mas cujas vidas já são ameaçadas por causa de uma sociedade egoísta. Impele-nos a pensar na neurose massiva do tempo presente que leva o homem ao vazio existencial, ou nas minorias étnicas discriminadas, ou ainda no capitalismo ufano que põe à mostra seu lado mais desprezível, o de usurpar o labor do homem humilde.

Mostra-nos, a todos sem exceção, que estamos envolvidos, fortemente, com tendências suicidas: idolatria pela tecnologia; proliferação das drogas alucinógenas; conflitos urbanos violentíssimos e consumismo exagerado. Que estamos entregues, excessivamente, a uma vida desregrada de prazeres.

Que optamos por viver à beira do abismo das paixões, isto é: catarse, sentimento ou emoção levado a um alto grau de intensidade, sobrepondo-se à lucidez e à razão.

Abandonamos o pensamento de conceber, de afirmar. Pensamento que quer que não quer, que imagina e que sente. Nossa faculdade crítica foi adormecida e o julgamento abandonado, tendo como consequência uma sociedade completamente dominada por aqueles que determinam o que é bom ou mau, certo ou errado, justo ou injusto.

A maioria, da nossa gente deixou de ser consciente de si e dos outros. Perdeu a capacidade de reflexão e de reconhecer a existência do próximo como sujeito ético igual a ele.

 

*HUMANISTA. E-mail: [email protected]

“A Filosofia, humanizadora, abre nossos olhos para a realidade trágica das mazelas humanas”

 

 

 

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