Liberte-se de quem lhe faz mal – Jornal A Gazeta

Liberte-se de quem lhe faz mal

Olá, tudo bem? Como vai você?
Nos aconselhamentos que venho realizando ao longo desses 20 anos, muitas pessoas, ao término de um relacionamento doloroso, chegam a me perguntar:
– Claudia, como faço para esquecer essa pessoa que namorei durante todo esse tempo, que me enganou e decepcionou tanto? Logo eu que o amei de imediato!
Realmente é algo bem doloroso, aparentemente difícil e quase impossível de superar para seguir em frente. Pelo menos é isso que os seus sentimentos estão causando em você. O medo de perder para recomeçar é grande.
Mas, não desanime! Não permita que os seus sentimentos te aprisionem. Você é capaz, sim, de enfrentar para vencer, e livrar-se, inclusive, de um mal maior. Está disposto? Então vem comigo.
Para libertar-se de quem nos fez mal, é necessário ter amor próprio. É difícil porque, afinal de contas, sonhos foram construídos, planos possivelmente foram feitos. Desconstruir tudo isso para recomeçar, apesar de não ser tão fácil, é possível superar. Porém você precisa estar disposto a analisar os fatos como realmente são. Como assim? Pois bem, analisemos juntos: a pessoa, a qual você namorou todo esse tempo, era realmente como você afirmava que ela era, ou você idealizou e acreditou na pessoa que você construiu em sua mente? De quem você sente falta, do que ‘você’ pensou que ele era, ou de quem realmente ele ‘é’?
Observe que aqui estamos diante de um conflito. Está tudo muito misturado, por isso é difícil de identificar. E o que causa essa dificuldade é justamente a ilusão, pois você sente falta da pessoa que julgava existir, e não da pessoa que de fato ele é. Estamos diante do amor platônico, romântico. Você idealizou o outro segundo o seu desejo, e o outro, percebendo ou não, começou a vestir as amarras que você colocou nele.
Pode parecer estranho, mas muitas vezes o erro não é do outro, o erro foi seu que não enxergou a pessoa que realmente ele é. Possivelmente ele deu indícios de quem era, mas você se encantou de tal forma que não conseguia ver no outro os seus defeitos. Então, vamos começar a colocar as coisas em seu devido lugar, separar aquilo que é real, daquilo que imaginamos, idealizamos. Para isso é importante que você tire as vendas dos olhos! Remova a maquiagem que você fez sobre esta relação. Destape os ouvidos para escutar dele as palavras duras, agressivas, sarcásticas, irônicas, enfraquecidas, insensíveis, imaturas ou recheada de inverdades ditas tantas vezes, mas que você, diante da ideologia criada, não conseguia ouvir na íntegra, tudo que estava nas entrelinhas. Não conseguia inclusive enxergar determinados comportamentos e atitudes que mostrava a pessoa que ele é. Diante disso, pare de projetar no outro os seus desejos! Separe: você, seus desejos, ele, e quem o outro é verdadeiramente.
O verdadeiro amor é construído à medida que as qualidades e defeitos são apresentados. O amor enxerga os defeitos e valoriza as qualidades, aceitando o outro como o outro é, com defeitos e imperfeições, se dispondo a querer viver o desafio de fazer essa relação dar certo. Chega de buscar princesas ou príncipes encantados! De exigir que o outro seja da forma que você quer. Ele pode até tentar, se esforçar, mas chegará um tempo que irá cansar, então, tirará a máscara e mostrará quem é, e isso provocará uma tempestade em sua vida. O que não é verdadeiro, não dura, tem prazo e tempo para terminar e geralmente da pior forma possível, afinal, você criou expectativa, aprisionou o outro dentro daquilo que você queria para você. As prisões afetivas nascem das expectativas criadas.
Diante disso, nem o outro e nem você consegue se livrar dessa prisão. O outro está preso as nossas expectativas, tentando ser o que você quer que ele seja e você também não consegue seguir sua vida, porque está presa à ilusão que você criou sobre ele, não consegue admitir que aquela pessoa não existe, foi você que criou.
Quer se recuperar disso?
Assuma, admita que tudo aquilo não passou de uma projeção sua, que aquela pessoa que você acreditava e que amava, nunca existiu. Quando você conseguir fazer esta reflexão, admitindo e assumindo a sua responsabilidade nesta relação, estará se libertando, sarando você de uma doença que estava consumindo a sua alma, a sua vida.
Não permita que o sofrimento se prolongue ainda mais, que uma relação doentia te mate aos poucos. Não antecipe a morte. Você faz isso quando começa a perder a vontade de viver, a capacidade de sonhar, de ser feliz e refazer a sua vida. Tudo porque se prendeu a uma ilusão permitindo que o seu mundo girasse o tempo todo ao arredor dela.
Portanto, não finja que não está perdendo. Não vale a pena viver pintando, usando máscaras, ou passando maquiagem para disfarçar. Pare de esconder a ferida. Admita e liberte-se do mal que você mesma criou, de uma realidade que está podre há bastante tempo. Então, tenha coragem e toque na ferida, mesmo sabendo que ao tocar, o relacionamento chegará definitivamente ao fim, mas somente limpando, usando a medicação apropriada que você irá sarar, ficar bem e no tempo certo conhecer uma nova pessoa para recomeçar, desta vez, com maturidade, tendo aprendido a permitir que o outro seja ele mesmo, se mostre como realmente é.
Muitas pessoas não querem abrir mão de um namoro e esquecem que namoro foi feito parar acabar. É um momento que ambos têm para se conhecerem, não é nada definitivo. Diferente de um casamento onde envolve sonhos, projetos, filhos e tantas outras coisas. Então, não tenha medo de terminar um namoro se descobrir que está vivendo uma ilusão ou descobrir que o outro está projetando em você aquilo que não é, que não existe.
Nós temos de amar o outro como ele é. Queira ser amado também, como você verdadeiramente é. Não aprisione a ninguém e não aceite viver aprisionado. E quer saber de uma coisa? Melhor só do que mal acompanhando! Namorar alguém agressivo, que te humilha, te despreza, que machuca, é infiel, que bate fisicamente. Por favor! Se no namoro é assim, o que você espera ao casar com ele? Que ele mude? Vai se iludindo.
“Mas, Claudia, eu não sei viver sem ele”. Então experimente a sua vida com ele. A escolha é sua, no entanto, nada de depois colocar a culpa em ninguém. Assuma a sua responsabilidade.
É preciso coragem e amor próprio para nos libertarmos de quem nos faz mal.

Um grande abraço!
Fique com Deus.

* Claudia Correia de Melo Torres é terapeuta de adolescentes, individual e de casal. Escritora. Palestrante. Faz atendimento online para você e sua família. Skype: claudiacorreiamt / (68) 99920-0371.

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