Moral progressiva – Jornal A Gazeta

Moral progressiva

“O homem, ou qualquer homem, destituído de moral é um caos interior, com reflexos terríveis aqui fora”

Moral vem do latim mos ou mores que significa “costume” ou “costumes”, isto é, conjunto de normas ou regras adquiridas por hábito, consideradas como válidas. A moral se refere, assim, ao comportamento adquirido ou modo de ser “conquistado”.

Deste modo, a moral é relativamente progressiva, salvo aqueles valores morais admitidos ao longo de séculos, como: a solidariedade, a amizade, a lealdade, a honradez, e outros, que adquirem certa universalidade e deixam, portanto, de pertencer exclusivamente a uma moral particular.

A moral é progressiva, e essa distinção do progresso ou ascensão da moral manifesta-se como um processo dialético de negação e de conservação de elementos morais anteriores. Assim, diz Adolfo Sanches, a vingança de sangue, que constitui uma forma de justiça dos povos primitivos, cessa de ter valor moral nas sociedades posteriores; o egoísmo característico das relações morais burguesas é abandonado por uma moral coletivista socialista

Este é o objetivo que toda sociedade deve perseguir, para que tenha vida sadia, pois  progresso moral se mede, principalmente, pela ampliação da esfera moral na vida social. Pois, essa projeção, esse progresso moral, se revela ao serem reguladas oralmente relações entre indivíduos que antes se regiam por normas externas, como as do direito, do costume, entre outras. O progresso moral se determina, ainda, pela elevação do caráter consciente e livre do comportamento dos indivíduos ou dos grupos sociais. Não é, e não passa, por uma opção de governos instituídos, seja de direta ou de esquerda.

O progresso moral começa com associação, interdependência e organização em que todos dão sua contribuição cooperativa. Afinal, o homem ou qualquer homem, destituído de moral é um caos interior, com reflexos terríveis aqui fora. Então, vida em sociedade requer a concessão de uma parte da soberania do indivíduo à ordem comum, pois a regra de conduta acaba tornando o bem-estar do grupo.

Infelizmente, “costumes” alguns bem perversos, próprios  idade da superstição e da barbárie, que, você e eu, pensávamos estarem sendo,  progressivamente substituídos pela ciência e pela razão, atribuindo-se à história uma linha evolutiva de caráter moral…infelizmente, continuam por aí na nossa relação de humanos desumanos. E nada, absolutamente nada, nem mesmo aquela “educação” moral de inculcar nas pessoas o medo às conseqüências da não observância surte mais efeito.

Caso específico dos jovens dos tempos pós-modernos. O jovem atualmente é portal do crime. Todos os dias surgem dos quatro cantos do mundo, relatos lamentáveis sobre: homicídios, assaltos à mão armada, lesões corporais e tráfico de drogas envolvendo diretamente crianças e adolescentes.

Resultado drástico, não pela ausência de leis severas, pois que aí estão até rigorosas demais. Mas, principalmente pelo afrouxamento da moral advinda da igreja, da família e da escola, que tinham um código moral unificador e que davam à conduta humana a maioria das regras do jogo da vida.  Graças à iniciação, imitação ou instrução, transmitida pela igreja, pelos pais e pelos professores, a herança mental de grupo ou comunidades passou de geração a geração e chegou até nós, como instrumento que elevou o homem acima da pura animalidade.

 O sofista Cálicles (483 a. C) no diálogo Górgias, denuncia a moralidade como sendo uma invenção dos fracos para neutralizar a força dos fortes. Mais tarde Max Stirner (1806-1856) filósofo precursor do anarquismo individualista, exprimiu a idéia de forma concisa quando disse: “um punhado de poder é melhor do que um saco cheio de direito”.

 À luz dessas teorias, o Brasil atualmente vive uma digressão política sem solução, pelo menos é o que deixa transparecer os poderes constituídos.  Isso basta à incompetência.  Contudo, quanto à patifaria que permeia os quadrantes da terra de Afonso Arinos, você e eu, bem que poderíamos nos prevenir contra ela colocando em prática, se possível, boas máximas da moralidade:

Que tal, Mestre Assis, começar colocando em prática “bons costumes”? Por exemplo: Saber que quando terminam os meus DIREITOS, começam os do meu vizinho!

Francisco Assis dos Santos é humanista.

E-mail:assisprof@yahoo.com.br

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