Mude – Jornal A Gazeta

Mude

“Pague o preço, mas pague o preço para fazer a você feliz,
ninguém mais”

Dizem por aí que mudar é difícil. Seja mudar de emprego, de relacionamento, de cidade ou de opinião; mas, talvez pior que mudar seja manter-se numa zona de conforto que também traz grandes perdas e que é irremediavelmente fúnebre. Então, como pesar uma decisão tão importante e definitiva, em muitos casos?
As mudanças não são fáceis porque nos tiram da zona de conforto para a zona de ansiedade e talvez, para a da frustração. Quando decidimos movimentar nossa vida com uma decisão importante e incerta pensamos muitas vezes, pesamos prós e contras, fraquejamos, chegamos a dizer que é mais cômodo ficar do jeito que está (e é mesmo) e muitas vezes sequer chegamos a tomar a decisão final. Isso acontece porque mudanças são difíceis, dolorosas e desconfortáveis. Mudar é como “abandonar as roupas usadas”, aquelas que são tão bem adaptadas ao nosso corpo, que tem o nosso cheiro e que caem como uma luva em qualquer ocasião.
Porém, se algum dia um de nós pensou em mudar significa que ‘ficar’ não faz mais sentido. Ou seja, o simples fato de querer novas possibilidades nos dá um sinal de que as que se apresentam não fazem mais sentido; a roupa tão confortável e adaptada não nos cabe mais e por isso chega a parecer rasgada, velha e sem graça. Ir em busca do novo, sem medo, sem apegos, parece mais sabedoria que estupidez, embora não para os outros.
Mas, o que importa é o que cada um sente e, sabemos, sentir coisas ruins não é fácil. Sentir-se estranho no ninho, pouco feliz ou desestimulado não é nada bom. Para os mais dedicados ao presente as mudanças são mais difíceis, para os desprendidos, emocionantes. Diante de todas as adversativas que possam aparecer, o mais importante é avaliar se vale a pena a dor momentânea que antecede a felicidade futura e se a mudança vai trazer conhecimento sobre algo. Aquele que se permite mudar aprende que o processo é doloroso e cruel, mas, sobretudo, compreende que ficar no mesmo lugar dói ainda mais. Assim, pague o preço, mas pague o preço para fazer a você feliz, ninguém mais.

* Nayra Claudinne Guedes Menezes Colombo é professora, servidora pública, mestre em Letras.
E-mail: nayracolombo@hotmail.com

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